Venda de 'Tamiflu' sem receita leva inspecção às farmácias

Corrida ao medicamento quase esgotou xarope  para crianças. Reserva estratégica em local secreto.
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Algumas farmácias portuguesas continuavam ontem a vender Tamiflu sem exigir receita médica. Esta situação obrigou o Infarmed a relembrar que é proibido vender o antiviral, um dos remédios indicados para o tratamento da gripe suína, quando não há prescrição médica.

E, além de enviar uma circular a todas as farmácias com instruções para guardarem as receitas, o Infarmed inspeccionou também cerca de 20 estabelecimentos, onde não detectou nenhuma irregularidade, informou Vasco Maria, presidente do organismo. No entanto, um empresário lisboeta admitiu ao DN que ontem comprou "seis caixas de Tamiflu em três farmácias, sem nunca apresentar receita".

O objectivo das autoridades é evitar que os portugueses recorram ao antiviral como forma de prevenção da doença, o que não é recomendado pelos médicos.

Por outro lado, o Infarmed assegura que, apesar do aumento da procura do medicamento, não há problema de abastecimento das farmácias. Também a Roche, a empresa que produz o Tamiflu, garante haver reservas disponíveis, quer nos distribuidores quer nos armazéns da empresa. Apenas a versão em xarope, para crianças, está quase esgotada. "Há umas embalagens em alguns armazéns, mas é pouco", admite o porta-voz da empresa. No entanto, o Tamiflu para adultos pode ser dado a crianças, cumprindo as instruções do folheto.

A GlaxoSmithKline também afirma que as farmácias estão abastecidas de Relenza, o outro remédio indicado pela Organização Mundial de Saúde para tratar esta gripe.

Além dos medicamentos no circuito comercial, Portugal dispõe ainda da reserva estratégica nacional para gripe e, por isso, ao contrário de Espanha, não pensa restringir a distribuição a hospitais e centros de saúde, informou ontem a ministra da saúde.

A reserva tem 2,5 milhões de doses e abrange 25% da população. Como não chega para todos, em caso de pandemia estão definidas prioridades: figuras de Estado, cidadãos que prestam serviços essenciais, como saúde, segurança e abastecimentos, e ainda doentes de alto risco. A sua localização é um "segredo" de Estado.

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