A exclusão da vacina contra a varicela do Plano Nacional de Vacinação está a gerar polémica no meio médico. Os pediatras querem saber "quem vacinar e se valerá a pena". Tudo porque, explicou o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), Gonçalo Ferreira, alguns profissionais apontam possíveis alterações epidemiológicas como consequência, nomeadamente o aumento da idade média da infecção nos não vacinados, que pode causar complicações..A SPP lança hoje, em Braga, o debate entre os prós e os contras, com Ana Leça, no Hospital Dona Estefânia, e José Gonçalo, do Hospital Santa Maria, em Lisboa. . "Não estando para ser introduzida no Plano Nacional de Vacinação, a vacina contra a varicela não vai ser universalmente administrada a todas as crianças. Só àquelas que a poderem comprar", sublinhou Gonçalo Ferreira, lembrando que alguns pediatras dizem que a vacina é eficaz, bem tolerada e tem "benefícios inquestionáveis". .O fármaco protege as crianças que a recebem, mas o grupo da população não vacinado "recebe uma protecção indirecta, já que o risco de contaminação diminui enquanto criança". .Logo, sustentou, "havendo um grupo maior de pessoas protegidas na comunidade dessas idades, vai diminuir a incidência de varicela, mesmo para os não protegidos, nas idades mais jovens". Por isso, alguns especialistas em pediatria defendem que a introdução da vacina pode causar alterações epidemiológicas, como o aumento da idade média da infecção nos não vacinados. A patologia pode, em casos raros, derivar para complicações, algumas muito graves, eventualmente evitáveis através da vacinação..Ainda sem manifestar uma tomada de posição sobre o assunto, a SPP promove o debate no seguimento da discussão acesa que se gerou no meio médico depois de o Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed) ter autorizado a venda da vacina, apesar de esta ainda não ter sido incluída no Plano Nacional de Vacinação.