Uma noite passada entre histórias de palcos com Sérgio Godinho

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Músico apresenta o seu mais recente álbum, gravado ao vivo

Sérgio Godinho sabe que, entre "os mais veteranos e os novos públicos" que congrega, muitos são os que já o viram em palco. Ao mesmo tempo, vai encontrando quem o faça pela primeira vez. Mas é a todos que dedica a constante reinvenção das histórias que canta. "Não como uma obsessão, mas talvez como uma necessidade íntima de não me repetir", diz-nos. Nove e Meia no Maria Matos, o novo disco ao vivo do músico, é um "retrato fiel do que sou e da importância do palco no meu percurso". Hoje, Sérgio Godinho recupera o conceito do álbum em palco, ao vivo, no Montijo.

Passeando-se perante públicos há mais de trinta anos, Sérgio Godinho cultiva poucos hábitos em volta de uma actuação. "A roupa, talvez a roupa", diz-nos, referindo-se a uma das suas poucas exigências. Porque a prioridade fica no cuidado interpretativo: "Em palco, sou outra pessoa, como se estivesse a viver uma realidade paralela, que também é nossa. É uma grande responsabilidade, que não desaparece com o passar dos anos."

Recuando no calendário, o início das viagens de "guitarra em punho" parece longínquo. O primeiro cachet, recorda, recebeu-o em Genebra, "num concerto partilhado com o José Mário Branco". Da quantia não tem memória, numa data que "já lá vai há algumas décadas". Mas da vontade lembra "traços característicos de uma década de 70 plena de decisão, de acertividade". Hoje, a mesma vontade adaptou-se. Permanecem os princípios, mas renovam-se abordagens, com uma maior capacidade na hora de concretizar projectos.

Sérgio Godinho, que continua acompanhado pelo título "escritor de canções" - "porque o sou", admite -, é ainda desejado por muitos na pele do simples "trovador à viola". "Mas esse não sou eu", explica. Em Nove e Meia no Maria Matos escutam-se canções que "também vivem de uma vida efémera e irrepetível, como se vestisse a pele de actor durante três minutos e meio". E é nos Assessores que encontra o cenário perfeito para cada história. Aquela é, de facto, "a outra metade", indissociável do enredo.

Pelo palco vão passando os contos que se cantam há muito. Os que já se ouviam em 1978, quando a digressão Sete Anos de Canções terminava no mesmo Maria Matos que agora gerou novo disco. O seu autor admite que "qualquer músico se pode zangar de quando em vez com as suas composições". Sem ceder à ditadura dos "temas obrigatórios", Sérgio Godinho confia no valor de algumas "âncoras de comunicação com quem nos ouve e vê", aquelas que se cumpre com prazer e que poderão passar esta noite pelo Montijo: "O Primeiro Dia e Com Um Brilhozinho nos Olhos devem ser quase totalistas", diz-nos. Apesar de descrever um público com "uma maior disponibilidade para o que é novo", Sérgio Godinho reconhece as emoções que as canções podem gerar, "tanto frente a um palco como num disco".

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