Turim festeja até amanhã a comida e a boa mesa, com a realização do Salão do Gosto, uma iniciativa do movimento Slow Food, que tomou conta desta cidade italiana desde quinta-feira. Um verdadeiro festival com exposições, uma bienal de cinema gastronómico, jantares nos melhores restaurantes tí- picos desta região, Piemonte, refeições preparadas por mil cozinheiros dos cinco continentes e ainda a presença de cinco mil camponeses e agricultores de todo o mundo, que participam na segunda edição do Terra Madre, dedicada a produtos que estão em perigo de extinção..Está patente uma exposição gigantesca de fotografias dos produtos alimentares de todo o mundo, e de quem os produz, com uma atenção especial aos valores que cada comunidade lhes atribui, desde os países mais desenvolvidos e industrializado às aldeias e centros habitados, em todas as suas fases, das sementes ao cultivo, na criação de animais, na flora e na fauna..Estão presentes delegações que pela primeira vez visitam um dos oito países mais industrializados do mundo, grupos étnicos e culturais completamente diversos, desde as mulheres que secam e salgam o peixe nas costas do Senegal até aos pescadores italianos que secam as ovas de peixe, que depois são raladas sobre o spaghetti, como se fossem queijo..Ou ainda produtos provenientes dos mercados da Malásia ou yak dos planaltos do Tibete, num pavilhão dedicado somente à Fundação Slow Food para a Biodiversidade. De Portugal, veio o queijo de Serpa e a batata-doce de Algezur..Os cinco mil agricultores e camponeses serão o tema do documentário filmado por Ermanno Olmi, autor do filme premiado em Cannes, A Árvore dos Tamancos, e que filmará a chegada, a permanência e a partida dos representantes de 1600 comunidades e de 130 países..Terra Madre, o encontro internacional das comunidades dedicadas à produção alimentar, iniciado em 2004, tornou-se o momento e a iniciativa mais importante do Salão do Gosto, devido sobretudo aos intercâmbios espontâneos de culturas, conhecimentos e informações..Uma iniciativa que não é aberta ao público, mas reúne directamente quem se ocupa profissional e culturalmente do sector alimentar, proporcionando uma rede importantíssima de contactos e relações para reforçar as modalidades de produção local e tradicional, assim como aquelas financiadas por entidades privadas e bancos..Lugar de encontro e troca de informações e produtos, este Salão do Gosto é também um grande mercado mundial para a biodiversidade alimentar que ainda existe no globo. Um pavilhão é dedicado à história e à relação dos produtos alimentares com o território, com jogos para crianças com a finalidade de ensinar a reconhecer as qualidades e os defeitos dos produtos..No Teatro do Gosto, 17 dos melhores chefes de cozinha no mundo apresentam os pratos característicos dos respectivos países, como o Líbano, Brasil, Peru, EUA (Nova Iorque), França ou Espanha. E há também um pavilhão especial para a alta-cozinha italiana..O convidado especial, no entanto, será o chefe catalão Ferran Adrià, que desta vez não vai cozinhar, mas sim presidir a uma conferência em que contará como o percurso da "cozinha tradicional até à alta gastronomia" se pode também fazer no sentido contrário.."A arte culinária vive um momento de glória. De ouro. Mesmo no dia-a-dia, a tendência é para melhorar a qualidade dos pratos, não só na escolha dos produtos, mas sobretudo no modo mais são de cozinhar", declarou Carlo Petrini, o fundador de Slow Food, do Salão do Gosto e do Terra Madre.