Substituiu Sidónio Pais, que morreu assassinado em Dezembro de 1918.Corria o mês de Dezembro de 1918 quando as Câmaras elegeram para quinto Presidente da República um nome respeitável e consensual, no meio da crise política que o violento assassínio de Sidónio Pais provocara. Sendo monárquico, o almirante João de Canto e Castro jurou a Constituição republicana de 1911, tendo agido com total isenção, nomeadamente quando durante o seu mandato enfrentou com determinação a revolta monárquica de Monsanto, em Janeiro de 1919, contra aqueles cujos ideais ele partilhava..A esta situação insólita precedia o facto de durante a I Guerra Mundial o rei D. Manuel II, no exílio, ter solicitado a sua incorporação no exército republicano português, o que levou a imprensa britânica a exclamar: "Que estranho país é este que tem um rei republicano e um presidente monárquico!".João do Canto e Castro da Silva Antunes nasceu em Lisboa a 19 de Maio de 1862. Filho do general José Ricardo da Costa Silva da Antunes e de sua mulher, Maria da Conceição do Canto e Castro de Mascarenhas Valdez..Frequentou o Colégio Luso-Britânico e a Real Escola Naval. Foi oficial da armada, percorrendo todo o império português, atingindo o posto de almirante..Em 1892 foi nomeado governador de Moçambique. Em 1908 foi deputado..No início da República dirigiu a Escola de Alunos Marinheiros, em Leixões, e chefiou o Departamento Marítimo do Norte. Em 1915 dirigiu a Escola Prática de Artilharia Naval. No Governo de Sidónio Pais foi nomeado director dos Serviços do Estado-Maior Naval e Secretário de Estado da Marinha..Dois dias após a morte de Sidónio Pais, foi eleito Presidente da República..Casou em 1892 com Mariana de Santo António Moreira Freire Correia Manoel Torres de Aboim, também de Lisboa, de quem teve três filhos, deixando geração até hoje..Os seus avós paternos, João António da Costa da Silva Antunes e Maria do Carmo Ferreira, eram naturais de Santo André, em Lisboa..O avô materno, Francisco José do Canto e Castro Mascarenhas, da Ameixoeira, casou em 1818, no Rio de Janeiro, com uma açafata da rainha D. Maria I, Carlota Joaquina Mascarenhas de Mancelos Valdez, que acompanhara a família real para o Brasil, filha de Manuel Caetano Mascarenhas de Mancelos, alcaide-mor do Crato e capitão-mor de Pombal, e de sua mulher Ana Leonor de Sousa Godinho Valdez, também de Pombal..A família Mancelos descendia de António da Fonseca de Mancelos - moço-fidalgo da casa real em 1661 e escrivão da Câmara de Pombal - que casou com Joana Mascarenhas de Abreu e Lemos, oitava- -neta de Pedro Gomes de Abreu, terceiro senhor de Regalados, do conselho do rei D. Afonso V, décimo senhor da torre e honra de Abreu, casado com Aldonça de Sousa, filha de D. Lopo Dias de Sousa, sétimo mestre da Ordem de Cristo e 17.º representante da Casa de Sousa, que descendia por varonia dos primeiros reis de Portugal..O seu avô materno descendia por varonia de Pedro Anes do Canto, fidalgo da Casa Real, natural de Guimarães, que passou aos Açores em 1505, onde foi o primeiro provedor das armadas e fortificações na ilha Terceira, filho de João Anes do Canto, mercador em Guimarães e de sua mulher, Francisca da Silva.