Tenho de confessar: Luís Freitas Lobo irritava-me. Muito mesmo. Tanto que, quando, no ano passado, comprei o Pro Evolution Soccer (um jogo de futebol para as consolas) e percebi que os comentários em português eram dele, perdi logo a vontade de jogar. Não o conheço pessoalmente mas, apesar de lhe reconhecer o óbvio - o homem é uma enciclopédia viva de futebol -, irritava-me aquele debitar quase pesporrente de conhecimento. Caramba, o futebol é um jogo. E eu gosto de o ver como tal. Quero lá saber dos passes de ruptura, das transições ofensivas, da dinâmica do quadrado e da versatilidade do losango. Eu quero é ver bola, boa bola, e, de preferência, que o meu clube ganhe, mesmo que jogue mal..Sem qualquer razão aparente (continuo sem o conhecer...), porém, dei-lhe o benefício da dúvida. Não sei porquê. Talvez porque um benfiquista, como eu, se torna mais tolerante quando a sua equipa ganha e lidera o campeonato. E aquilo que era uma antipatia epidérmica inexplicável tornou-se, primeiro uma tolerância metódica, depois um aplauso reservado e, agora, um entusiástico prazer..Calma, leitor. Estamos no domínio da emoção. Há coisas que não se explicam. Ainda anteontem, durante o Benfica-Sporting, dei por mim a pensar "está a acontecer exactamente o que o Freitas Lobo disse" e, mais à frente, "eh pá, o gajo sabe mesmo disto". Não, e não estava a falar do Pablo Aimar. A rendição absoluta aconteceu dez minutos mais tarde, quando exclamei para quem via o jogo, no sofá, ao meu lado, num momento de repetição: "olha para aquilo, olha só para aquele passe de ruptura!" Bingo! Dois minutos depois, Javi García marcou. Glorioso, Fre-itas Lo-bo, glorioso S-L-B!