Um 'gentleman' em Tóquio

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A história do cinema está cheia de carreiras que não cumpriram todo o potencial dos seus protagonistas. Umas devido a desenlaces trágicos (lembremos a morte brutal de James Dean, com apenas 24 anos), outras por escolhas radicais (Greta Garbo, por exemplo, abandonou o cinema aos 36 anos, no auge da fama). Cary Grant é um caso muito particular, já que a sua retirada, em 1966, com o filme Devagar, Não Corras, aconteceu depois de uma carreira imensa e multifacetada: a trabalhar em Hollywood desde o começo da década de 30, impusera um estilo frio e sedutor, tendo sido dirigido por mestres como George Cukor, Howard Hawks ou Alfred Hitchcock.

Com assinatura de Charles Walters, Devagar, Não Corras é uma variação eficaz, ainda que menor, sobre o modelo tradicional da comédia romântica. Interpretando um lorde britânico que está em Tóquio, em 1964, durante os Jogos Olímpicos, Cary Grant assume, com elegância e distanciamento, a personagem do gentleman que funciona como chave da história romântica das personagens de Samantha Eggar e Jim Hutton.

A carreira de Cary Grant continuava em alta (dois anos antes, fora nomeado para os Globos de Ouro pelo seu papel em Charada, de Stanley Donen). O certo é que, face às muitas convulsões culturais e industriais dos anos 60, pressentiu que o seu tempo estava a terminar. Retirou-se, por opção, depois de Devagar, Não Corra, vivendo ainda mais duas décadas - faleceu em 1986, contava 82 anos.

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