Ucrânia: Mercedes-Benz vai vender ativos na Rússia a investidor local

"A Mercedes-Benz deixará o mercado russo", confirmou o grupo alemão em comunicado.
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O grupo automóvel alemão Mercedes-Benz vai vender os seus ativos na Rússia a um investidor local, anunciou hoje o Ministério da Indústria e Comércio da Rússia, perante a ofensiva na Ucrânia e sanções ocidentais.

"A Mercedes-Benz venderá as suas ações nas suas subsidiárias russas a um investidor local", a empresa russa AVTODOM, adianta o ministério em comunicado.

"O novo proprietário das subsidiárias russas da Mercedes-Benz, a empresa AVTODOM, poderá atrair outras empresas como parceiras para organizar o fabrico conjunto" de carros na fábrica da Mercedes em Yessipovo, inaugurada em 2019 e localizada a cerca de 50 quilómetros de Moscovo, segundo a mesma fonte.

"A Mercedes-Benz deixará o mercado russo", confirmou o grupo alemão em comunicado.

Entre as "principais prioridades" da Mercedes-Benz ao concluir o acordo com a AVTODOM incluíam-se, em particular, a manutenção dos postos de trabalho nas subsidiárias russas, especificou a gerente geral da Mercedes-Benz-RUS, Natalia Koroliova, citada no comunicado de imprensa.

Após o lançamento da ofensiva russa na Ucrânia em 24 de fevereiro e a introdução de sanções económicas, muitas grandes empresas e marcas ocidentais deixaram a Rússia, por razões éticas ou por causa das dificuldades em continuar as suas atividades lá.

Entretanto, o grupo alemão Mercedes-Benz reportou hoje um lucro de 10.782 milhões de euros até setembro, uma subida de 26% face ao mesmo período de 2021, devido à "procura robusta", ao aumento de preços e disciplina de custos.

A Mercedes-Benz informou que o volume de negócios aumentou nos três primeiros trimestres para 109.014 milhões de euros (+11%) e o lucro operacional para 15.047 milhões de euros (+26%).

"Graças à forte procura pelos nossos produtos, a Mercedes-Benz alcançou novamente um resultado sólido no terceiro trimestre", disse o administrador financeiro, Harald Wilhelm, citado pela EFE.

O responsável justificou também os resultados com a disciplina de custos, que torna a empresa mais resiliente.

Nos primeiros nove meses do ano, a Mercedes-Benz destacou a grande procura por veículos mais caros e elétricos.

A empresa referiu que os pedidos superam a oferta, que se encontra limitada por falta de material e problemas logísticos.

As vendas de carros elétricos de passageiros da Mercedes-Benz aumentaram 156% até setembro.

No entanto, o grupo disse que se mantém "cauteloso", devido à incerteza sobre o fornecimento de energia na Europa e os desafios da pandemia de covid-19 na Ásia, que diminuem a confiança do consumidor.

"É por isso que a empresa permanece vigilante, protege as suas cadeias de fornecimento e trabalha para reduzir ou substituir o uso de gás natural na produção de automóveis", acrescentou a Mercedes-Benz.

O grupo automóvel que vê a possibilidade de reduzir o consumo de gás na Alemanha em 50% se for possível o agrupamento regional, planeia construir um parque eólico com capacidade superior a 100 megawatts (MW), em Papenburg, no norte da Alemanha.

Aquele parque eólico poderá cobrir mais de 15% das necessidades de energia elétrica da Mercedes-Benz na Alemanha, a partir de meados desta década.

O retorno operacional das vendas da construtora Mercedes-Benz Cars foi de 14,9% até setembro, contra 12,1% nos primeiros nove meses do ano passado, e da Mercedes-Benz Vans de 10,1%, face a 8,4% no mesmo período de 2021).

O grupo Mercedes-Benz prevê que o volume de negócios em 2022 seja "notavelmente superior" ao nível de 2021, bem como o lucro operacional.

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