Turquia critica EUA por classificarem Guarda Revolucionária do Irão como "grupo terrorista"

Ancara, 17 abr 2019 (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlüt Çavusoglu, definiu hoje como "extremamente equivocada" a decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de designar a Guarda Revolucionária iraniana, corpo de elite militar da República islâmica, como "grupo terrorista".
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"Incluir a Guarda Revolucionária na lista de [grupos] terroristas é outro perigo. É uma decisão extremamente equivocada", disse Çavusoglu, citado pelo diário Hürriyet.

O chefe da diplomacia turca emitiu estas declarações após uma reunião em Ancara com o seu homólogo iraniano Mohammad Javad Zarif, e no decurso de uma conferência de imprensa conjunta.

"Dissemos que somos contra as sanções norte-americanas [ao Irão]. Dissemo-lo diretamente aos Estados Unidos com cada um dos nossos interlocutores", sublinhou Çavusoglu, que também frisou a intenção da Turquia em aumentar as trocas comerciais com o vizinho Irão.

O objetivo consiste em atingir os 30 mil milhões de dólares (26,5 mil milhões de euros) e procurar "mecanismos" para "eliminar as barreiras comerciais", acrescentou.

Em 2018 os EUA impuseram um amplo conjunto de sanções ao Irão, mas isentou oito países, incluindo a Turquia, do cumprimento das restrições ao comércio com Teerão.

Esta medida provisória tinha como objetivo fornecer mais tempo a estas países para procurarem alternativas às suas trocas comerciais com o Irão e com prazo de seis meses a partir de novembro, e que deve terminar no final de abril.

Por sua vez, Zarif disse que informará o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, sobre a reunião que manteve na terça-feira com o Presidente sírio Bashar al-Assad, onde foi também abordada a necessidade de estabelecer um comité encarregado de redigir uma nova Constituição para a Síria.

"Mantive uma longa conversa com Bashar al-Assad. Apresentarei um relatório da reunião ao Presidente Recep Tayyip Erdogan", disse o chefe da diplomacia iraniana.

"Existe um diálogo positivo com a Rússia e Turquia sobre o processo constitucional e a criação da comissão. A parte síria também falou com [o enviado da ONU para a Síria, Geir] Pedersen sobre a Constituição", explicou Zarif.

"Existem duas questões importantes para dar início à comissão constitucional. Tem de ser decidido quem formará a comissão e como vão ser geridos os procedimentos", precisou. O encontro com Erdogan está previsto para hoje à tarde.

O Irão e a Turquia, juntamente com a Rússia, impulsionaram o designado "Processo de Astana", uma iniciativa negocial desencadeada em janeiro de 2017 para procurar uma solução ao violento conflito na Síria.

A posição de Teerão e Moscovo continua a divergir da abordagem de Ancara, que no decurso do conflito apoiou diversas milícias rebeldes que tentavam derrubar o regime de Damasco.

Segundo observadores, os três países parecem de momento em busca de uma posição consensual.

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