Túnel entre Espanha e Marrocos pode estar operacional em 2025

Publicado a
Atualizado a

Engenharia. Ligação permitirá transporte ferroviário de pessoas e mercadorias

Estudo final sobre a obra deve estar concluído em breve, segundo Madrid

O continente europeu separou-se do africano há 200 milhões de anos. Mas em breve, os dois poderão voltar a estar unidos - através de um túnel. As autoridades espanholas dizem que o estudo final para a construção de uma ligação subterrânea entre Tarifa, em Espanha, e Tânger, em Marrocos, está quase terminado. Se tudo correr bem, o túnel ferroviário de 40 km, 28 dos quais debaixo de água, estará operacional em 2025.

Há 20 anos que os dois países discutem a possibilidade de construir um túnel ou uma ponte no estreito de Gibraltar, para permitir o transporte de pessoas e mercadorias (actualmente feito de barco). Quando (e se) houver o "sim" final, a construção levará 15 anos e terá um custo superior a cinco mil milhões de euros. O projecto será apoiado pela União Europeia e, possivelmente, pelo Banco Mundial, de acordo com a BBC.

A complicada obra de engenharia está nas mãos do atelier do suíço Giovanni Lombardi, que dentro em breve deve revelar os resultados do estudo. Só então será possível saber se é ou não viável tecnicamente a construção do túnel, que em alguns pontos estará 450 metros abaixo da superfície do Mediterrâneo.

O responsável da agência espanhola que coordena o projecto, Angel Aparicio, disse à BBC que há dificuldades que podem não ser ultrapassáveis: "O material [na parte espanhola] não é compacto o suficiente para permitir a escavação inicial", indicou. "É barro e rocha. Como é uma grande quantidade de água, existe também uma pressão elevada, e não estamos seguros de que seja possível avançar", concluiu.

Para o engenheiro responsável, esta é a missão da sua vida: "Para começar, neste ponto o mar tem 300 metros de profundidade, ou seja, é cinco a seis vezes mais profundo que o canal da Mancha, que liga a França ao Reino Unido [ver caixa]", indicou há um ano, quando a sua empresa foi a escolhida. Outro dos problemas prende-se com o facto de a área estar entre as placas tectónicas africana e europeia.

Finalmente, há quem se preocupe com o facto de essa ligação física entre o continente mais pobre do mundo e a Europa poder provocar um aumento da imigração ilegal. Actualmente, os clandestinos não hesitam em arriscar a vida na travessia do Mediterrâneo em frágeis barcos.

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt