Tudo a tatuar na terra de Kafka

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Praga recebeu amantes da tatuagem oriundos de três continentes

Já houve um tempo em que exibir tatuagens nos braços ou no dorso era coisa de corsários dos sete mares, de presidiários empedernidos ou de combatentes de guerras travadas em paragens remotas. As modas mudam e com elas também os adereços dominantes. Hoje não há vedeta envernizada da música, da moda, da televisão ou do cinema que não goste de mostrar uma tatuagem nas zonas mais imprevistas do corpo.

Veja-se o caso de Merche Romero, quase tão conhecida pelas suas várias tatuagens como pelos dotes já demonstrados como apresentadora de TV. Ou Ana Malhoa, que deixou definitivamente de ser uma cantora vocacionada para o público infantil no dia em que decidiu fazer uma tatuagem, aliás bem documentada por todas as revistas do segmento cor-de-rosa.

No plano internacional, uma actriz de reconhecidos créditos e de uma estonteante beleza, como Angelina Jolie, por quem Brad Pitt se perdeu de amores, tem contribuído para vulgarizar as tatuagens: ela tem várias, também muito bem documentadas. É difícil dizer qual delas é a que mais contribui para lhe reforçar a sen- sualidade, tornando-a um ícone do espectáculo. E gerando, desta forma, uma legião de admiradores - de ambos os sexos.

Vem tudo isto a propósito da décima Convenção Internacional da Tatuagem, que decorreu esta semana em Praga, cidade natal de Franz Kafka. Este certame, o mais concorrido de sempre, reuniu mais de 70 artistas do ramo oriundos de várias partes do globo - dos Estados Unidos ao continente asiático, passando por diversos países da Europa. Havia clientes de todas as idades e condições sociais. Alguns eram estreantes na matéria, outros eram veteranos, como atestam os corpos que deixavam entrever para fotografias tiradas de todos os ângulos.

Do lado da oferta é necessária muita perícia para desenhar uma tatuagem perfeita que em nada se confunda com as toscas inscrições que aludiam ao "amor de Mãe" nos bícepes dos expedicionários da guerra de África. Do lado da procura são precisas doses reforçadas de paciência, umas pitadas de sangue-frio e algum estoicismo para suportar uma dor que pretende suscitar prazer. Mas quem corre por gosto não cansa...

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