Trufa-branca, a iguaria mais rara

Há mais de três mil anos que a trufa-branca é considerada um dos mais raros e caros ingredientes da alta gastronomia. Esta é a época ideal para a saborear e, em Lisboa, três restaurantes apresentam menus especiais
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Apreciada desde os tempos dos sumérios, em torno de 1700-1600 a.C., a trufa branca tem sido considerada um fruto precioso e raro e motivado lendas e tendências em todas as épocas - para os gregos era um fruto tão valioso que os cozinheiros que inventassem novas receitas mereciam a cidadania; durante a Idade Média chegou a ser considerado um alimento do Diabo ou dos bruxos e feiticeiros, porque não se conseguia perceber se a trufa era um animal ou vegetal; mais tarde, os nobres e a realeza europeia consideravam-na como o melhor produto gourmet, especialmente na região do Piemonte, Norte de Itália.

Com a chegada do Outono e das chuvas, a época das trufas- -brancas é anunciada como um marco no calendário gastronómico internacional e os leilões agitam todos os chefs internacionais - este ano, um exemplar com 900 gramas foi vendido por 105 mil euros. Fruto subterrâneo, uma das espécies de túbera (um género de fungos da família tuberaceae), a trufa-branca tem um aroma e sabor inconfundíveis e a sua colheita é feita de modo artesanal e cuidadoso, pelos trufeiros que utilizam cães e porcos adestrados para as localizarem através do olfacto.

As melhores trufas brancas vêm de Alba, uma pequena cidade entre Turim e Milão.

Em Lisboa, pela primeira vez, o chef Pascal Meynard, do restaurante Varanda do Hotel Ritz, preparou um menu de trufas-brancas, com cinco pratos requintados acompanhados dos melhores vinhos portugueses, que será servido até o dia 18 próximo, sempre ao jantar, a um preço de 95 euros. "Aproveitando a época deste elemento raro, decidi criar um menu que fizesse justiça à fama que têm as trufas-brancas", disse Meynard enquanto detalha cada um dos pratos concebidos especialmente para a ocasião.

O requintado jantar começa com um quase etéreo prato de topinambour (uma espécie de alcachofra conhecida como alcachofra-de-Jerusalém) e girolles (um delicado cogumelo) com trufa-branca", seguido por um ravioli de pecorino e parmesão com caldo de trufa-branca". De seguida, são apresentados miolos de vieiras, jus de vitela e trufa- -branca, numa combinação de sabores muito original, e, para finalizar, um magret de pato com legumes de Outono e trufa- -branca.

"O meu grande objectivo era encontrar a perfeita harmonia entre a frescura dos produtos e o equilíbrio dos sabores", disse ainda Meynard, que, para a sobremesa, preparou um soufflé de Grand Marnier com gelado de trufa-preta.

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