Tribunal decide que escritor francês pode ver o seu filme porno antes do lançamento
Um tribunal de recursos do Países Baixos decidiu esta terça-feira que o controverso romancista francês Michel Houellebecq deve ter permissão para ver um filme pornográfico que protagonizou antes de ser lançado, depois de não o ter consigo banir.
Os juízes confirmaram uma decisão do tribunal inferior em março, que rejeitou a tentativa do autor de 67 anos de impedir o lançamento do filme "Kirac 27", do cineasta holandês Stefan Ruitenbeek.
Porém, o tribunal de recursos de Amsterdão disse que Ruitenbeek quebrou um acordo de que o filme deveria ser um "jogo de facto e ficção" que não deixa claro se Houellebecq realmente fez sexo no filme ou se foi usado como duplo.
O diretor "minou seriamente a ilusão" ao dar uma entrevista ao site de notícias Vice em fevereiro, na qual disse que Houellebecq era "muito bom na cama", referiram os juízes.
Houellebecq, cujos trabalhos mais vendidos incluem "Submission" e "Atomised", deve, portanto, ter permissão para assistir ao filme quatro semanas antes do seu lançamento, decidiu o tribunal.
O escritor pode então usar esse período para interpor recurso adicional contra a exibição do filme, se assim o desejar, disseram os juízes.
A data de lançamento planeada para 26 de maio já foi adiada, e o coletivo de arte ao qual Ruitenbeek pertence será multado em 25 mil euros se não cumprir, acrescentaram.
Um trailer online do filme lançado em janeiro, que já foi removido da internet, mostrava Houellebecq em tronco nu a beijar e acariciar uma jovem na cama.
Houellebecq reclamou que o filme prejudicou a sua reputação e que havia assinado um contrato injusto sob o efeito do álcool e tentou a sua sorte na justiça francesa, mas perdeu o caso.
"O nosso cliente está muito satisfeito com a anulação da sentença de primeira instância e com o facto de o tribunal ter decidido em grande parte a seu favor", disse a sua advogada, Jacqueline Schaap, à AFP, em comunicado.
"Nestas circunstâncias, é correto que as imagens sejam primeiro mostradas ao cliente, de modo a que ele tenha a oportunidade de se opor a determinadas imagens", referiu.
Houellebecq é um dos escritores mais proeminentes da França, mas foi acusado de explorar os receios da direita sobre o Islão em França.
O romancista vai publicar um livro de 112 páginas no qual conta as suas experiências no filme holandês a 24 de maio, informou a editora Flammarion no início deste mês.

