Três portugueses nos sete maiores

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N ão é grande descoberta que fomos bons durante as Descobertas, mas quando são os outros, neste caso os alemães, que o reconhecem tem um valor especial. Em Hamburgo, no Museu Marítimo Internacional, sete bustos em destaque prestam homenagem aos maiores navegadores da história e três deles são portugueses: Bartolomeu Dias, que transformou o cabo das Tormentas em Boa Esperança, Vasco da Gama, o primeiro europeu a chegar por mar à Índia, e Fernão de Magalhães, o pioneiro da circum-navegação. Os outros? Leif Erikson, o viking que navegou até ao actual Canadá, Zheng He, o almirante chinês que se aventurou pela costa oriental de África, Cristóvão Colombo, o italiano que descobriu as Américas, e ainda James Cook, o marinheiro britânico que percorreu quase todos os cantos do Pacífico.

Este Museu Marítimo Internacional, no cais de Hamburgo, reclama ser o melhor do mundo sobre o mar. Desde antigos livros de navegação a astrolábios e nónios, passando por milhares de miniaturas de navios de todas as épocas, até fardas de marinheiros de dezenas de países, tudo serve para rechear nove andares dedicados à história da navegação. E faz todo o sentido existir nesta cidade que já foi capital da Liga Hanseática, uma aliança de cidades mercantis, e hoje tem o segundo maior porto da Europa, só ultrapassado pelo de Roterdão.

Da relação entre Portugal e a que é a segunda cidade alemã ficam sobretudo pormenores ligados ao comércio e ao mar, com algumas famílias judias, como os Milão-Dinis, a fixarem-se na época das Descobertas em Hamburgo para negociar mas também para escapar à Inquisição. Outra história curiosa de sefarditas exilados é a da família Cassuto, que com passagem por Itália e Amesterdão acaba no século XIX por fixar-se em Hamburgo e integrar-se na comunidade de origem portuguesa. A ascensão do nazismo leva em 1933 ao regresso a Portugal dos Cassuto, séculos após a partida dos antepassados, e o mais famoso dos actuais membros, o maestro Álvaro Cassuto, nasceu já no Porto.

Em Hamburgo, onde viverão dez mil portugueses, a presença nacional nota-se hoje sobretudo nas imediações do porto. Perto da zona de St. Pauli, famosa por ter o maior bairro de prostituição da Europa, há uma rua onde se amontoam os restaurantes portugueses, com nomes como A Transmontana, O Pescador ou o Madeira. Têm fama de servir doses imensas, feitas à medida dos estivadores, e isso explica parte do sucesso. O resto tem que ver mesmo com a qualidade da comida e sobretudo a frescura do peixe. Afinal, temos um dever para com os nossos admiradores hamburgueses: continuar a ser bons no mar, nem que seja à moda do século XXI.

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