Depois de alguns testes do equipamento, a linha de produção entra em funcionamento na próxima semana, altura em que o lagar deve retomar a transformação da azeitona..O diretor da Cooperativa de Olivicultores, José Aires, salientou que se trata de "uma mais valia" que vai diversificar as "fontes de rendimento" desta unidade industrial, salientando que o resultado é um produto que "tem muita procura no mercado"..O projeto Biocombus está a ser desenvolvido há alguns anos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto (UTAD). Depois da investigação no laboratório, o desafio foi construir um protótipo que conseguisse transformar o processo que resultou bem a nível laboratorial para a escala industrial..O objetivo deste projeto é resolver dois problemas em simultâneo, os resíduos e efluentes resultantes dos setores oleícola e da cortiça, juntando-os e transformando-os em biomassa, que poderá ser utilizada como combustível sólido..Da produção de azeite resultam o bagaço de azeitona, os caroços, as folhas e as águas ruças, as quais representam um "problema ambiental muito complexo", já que têm uma carga poluente "200 a 400 vezes superior ao esgoto doméstico"..Este processo vai dar origem a um produto que revela um poder calorífico dos mais elevados existentes no mercado em termos de biomassa.."É uma inovação que vai dar frutos para a cooperativa e os seus agricultores", salientou José Aires..Depois de avaliar o trabalho a realizar este ano, a unidade de Murça poderá também vir a receber os resíduos de outros lagares de azeite..A campanha da azeitona deste ano está atrasada cerca de duas semanas na região transmontana..Apesar disso, José Aires perspetiva uma boa produção, que poderá duplicar comparativamente com o ano passado.."Já começamos a transformar e o azeite está a ser muito bom. Espero que, daqui para a frente, continue a ser na mesma", frisou..A produção média anual desta unidade ronda o meio milhão de litros de azeite..Com o país em crise e as vendas a caírem ligeiramente, a Cooperativa de Olivicultores de Murça procura diversificar mercados, apostando cada vez na exportação, a qual já representa cerca de metade da produção..O mercado externo que mais tem subido nos últimos tempos é o Canadá, mas os azeites de Murça chegam também à China, Estados Unidos da América (EUA), Brasil e Angola.