Ainda não é definitiva a decisão do Supremo Tribunal Administrativo de suspender a trasladação dos restos mortais do Eça de Queiroz de Tormes (Baião) para o Panteão Nacional, em Lisboa..O STA aceitou pronunciar-se sobre uma providência cautelar interposta por familiares do escritores que contestam a trasladação e isso suspendeu o ato contestado. Contudo, ainda não há uma decisão final daquela instância judicial. Esta sexta-feira o Parlamento - que aprovou por unanimidade as honras de Panteão para o escritor - foi notificado para se pronunciar. Só depois de o fazer é que o STA se pronunciará definitivamente..Se o Supremo Tribunal Administrativo se pronunciar sobre a providência cautelar depois da data prevista para a trasladação, a 27 de setembro, esta fica suspensa até que haja uma decisão definitiva..Dos 22 familiares diretos do escritor português, 13 são a favor da trasladação, seis contra e três abstêm-se, segundo fonte parlamentar disse ao DN. É uma contabilidade que só envolve descendentes até ao grau de bisnetos. Não inclui portanto o escritor Afonso Reis Cabral, trineto e presidente da Fundação Eça de Queiroz, que está sediada na Casa de Tormes, em Baião..A providência cautelar foi interposta por um dos bisnetos do escritor, José Maria Eça de Queiroz..António Fonseca, ex-presidente da Junta da União de Freguesias de Santa Cruz do Douro e São Tomé de Covelas (onde fica Tormes) e dinamizador do movimento local que contesta a trasladação de Eça, reconheceu ao DN que a suspensão agora determinada "pode ser revertida"..Este movimento local, que também está ligado aos familiares de Eça que contestam a trasladação, propõe que se mantenham as honras de Panteão para o escritor mas apenas descerrando-se apenas uma lápide - e mantendo-se os restos mortais do escritor em Tormes. "Temos um Eça, é um grande orgulho. Qualquer terra deste país adoraria ter um Eça", diz António Fonseca..A resolução que concede honras de Panteão Nacional a Eça de Queiroz, uma iniciativa da fundação que evoca o autor, impulsionada pelo grupo parlamentar do PS, foi aprovada, por unanimidade, em plenário, no dia 15 de janeiro de 2021.