Tráfico de órgãos entre Moçambique e África do Sul

Publicado a
Atualizado a

Jovens e crianças são frequentemente assassinados, os órgãos removidos e utilizados na medicina "tradicional" em Moçambique e na África do Sul, denuncia um relatório ontem publicado em Joanesburgo. De acordo com o jornal sul-africano Star, que publicou o relatório, Alice Mabote, da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique, organização que iniciou o trabalho, defendeu ser necessária legislação que proíba a posse de órgãos humanos.

"Precisamos de legislação. Não existem leis que proíbam as pessoas de transportarem um dedo humano. A lei proíbe que o cortem, mas não proíbe a sua posse", afirmou na apresentação do relatório.

O trabalho concluiu que o tráfico de órgãos humanos entre Moçambique e a África do Sul é uma realidade constante e que as autoridades dos dois países nunca detiveram e levaram a tribunal alguém na posse de membros, cabeças, dedos ou órgãos genitais de seres humanos, por não existir legislação que proíba a posse.

Os autores do relatório afirmaram ter entrevistado vários "curandeiros" dos dois países, bem como activistas dos direitos humanos, e referiram que muitos dos participantes na pesquisa garantiram ter visto jovens e crianças serem assassinados para recolha dos órgãos e mesmo órgãos a serem arrancados a pessoas ainda vivas.

Um dos sul-africanos entrevistados pelos investigadores disse que os assassínios rituais são comuns no país e que habitantes de aldeias e vilas nem ficam chocados quando é descoberto um corpo a que foram retirados vários órgãos.

Dedos, órgãos genitais masculinos e outros órgãos são utilizados em remédios tradicionais vendidos pelos curandeiros por se acreditar que a potência dos medicamentos tradicionais é aumentada pela utilização de órgãos humanos, salientaram os investigadores.

Os órgãos humanos também podem ser usados, através de práticas de curandeiros, para dar sorte nos negócios, casamentos e relações, ou azar aos concorrentes e inimigos.|

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt