Tokayev vence presidenciais e tem luz verde para avançar com o "Novo Cazaquistão"

Presidente eleito para um mandato único de sete anos, como prevê a nova Constituição, recebeu felicitações de Putin (de quem se tem distanciado) e Xi.
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O presidente cazaque, Kassym-Jomart Tokayev, teve 81,31% dos votos nas eleições de domingo, segundo os resultados preliminares, tendo luz verde para prosseguir as reformas que tem vindo a implementar como resposta à violência que abalou o país em janeiro. Tokayev, de 69 anos e desde 2019 no poder, enfrentava cinco adversários quase desconhecidos - os observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa apontaram a falta de "competitividade" política -, com 5,8% dos eleitores a assinalarem a opção inédita de "votar contra todos".

Após serem conhecidos os resultados preliminares, Tokayev pediu "união" para transformar em realidade o programa da sua reforma constitucional, aprovada em referendo em junho e que visa a criação do Novo Cazaquistão. "Esta eleição abre uma nova era e as principais instituições de poder serão reformadas", prometeu o presidente, eleito para um mandato único de sete anos, insistindo nas reformas económicas e na promessa de acabar com o "monopólio do poder".

A ex-república soviética foi liderada durante três décadas por Nursultan Nazarbayev, que saiu em 2019 mas manteve uma mão no poder. Depois da violência do início do ano que causou a morte a pelo menos 238 pessoas - começou com protestos contra os aumentos dos combustíveis e alastrou no que Tokayev diz ter sido uma tentativa de golpe de Estado -, o presidente procedeu a reformas para afastar Nazarbayev e a sua família do poder.

Tokayev recebeu ontem os parabéns tanto do presidente russo, Vladimir Putin, como do chinês, Xi Jinping. "Recebeu uma prova convincente de confiança dos seus compatriotas", escreveu Putin num telegrama ao líder cazaque, garantindo que a "parceria estratégica" e a aliança entre Astana e Moscovo "estão a progredir com notável sucesso". E desejou-lhe "sucesso, boa saúde e prosperidade".

Já Xi Jinping escreveu que a vitória eleitoral "reflete totalmente a confiança e o apoio do povo" e mostrou-se "confiante" que o país "vai alcançar novos sucessos em todas as iniciativas de reforma e avançar no caminho de construir um Novo Cazaquistão". O líder chinês reiterou ainda a importância "do desenvolvimento das relações entre a China e o Cazaquistão".

A antiga república soviética tem procurado reforçar os laços com a China - e com a União Europeia - desde a invasão da Ucrânia, numa tentativa de se afastar da Rússia com quem partilha a mais longa fronteira terrestre do mundo. O Cazaquistão, que durante os protestos pediu a intervenção da Organização do Tratado da Segurança Coletiva (liderada pelos russos), não reconhece a anexação dos territórios ucranianos e tem defendido a inviolabilidade das fronteiras. Em causa a preocupação sobre as eventuais ambições de Moscovo em relação o norte do Cazaquistão (onde vivem cerca de três milhões de pessoas de etnia russa).

susana.f.salvador@dn.pt

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