Tó Jó pede saída precária pela 3.ª vez
Tó Jó, 32 anos, que ficou conhecido como "assassino de Ílhavo", ainda não conseguiu autorização para uma saída precária de 48 horas e já viu dois pedidos recusados pelo Tribunal de Execução de Penas. Um terceiro pedido seguiu há cerca de três semanas, mas, devido às férias judiciais, só deverá ter resposta a partir de Setembro, apurou o DN com fonte conhecedora do processo.
António Jorge (conhecido por Tó Jó), preso na Ala C do Estabelecimento Prisional de Coimbra, até reúne as condições: cumpriu mais de um quarto da pena de 25 anos pelo duplo homicídio dos pais, e o seu comportamento é tido como "exemplar" no Estabelecimento Prisional de Coimbra. Mas o Tribunal de Execução de Penas tem recusado os seus pedidos.
Segundo avançou fonte prisional ao DN, na base dessa recusa poderá estar o facto de Tó Jó "não ter para onde ir" caso lhe seja concedida a saída precária. Detido no EP de Coimbra desde 1999, o 'assassino de Ílhavo' não recebe visitas da família na cadeia, com excepção de uma prima, Maria de Fátima, que ainda é a única a marcar presença, apurámos. Havia também uma tia de Coimbra que o visitava com alguma regularidade, mas há cerca de um ano deixou de comparecer na cadeia.
Nos critérios que são apreciados pelo juiz de execução de penas, contam - para além do bom comportamento na prisão e do arrependimento - as ligações afectivas que o recluso tem no mundo exterior e que possam ajudá-lo a integrar-se. As precárias são a antecâmara para uma situação de liberdade condicional.
António Jorge, que é por natureza reservado, está cada vez mais isolado. Entrou, no ano passado, para o primeiro ano do curso de Direito da Universidade de Coimbra, mas desistiu este ano. "Não tinha ninguém que lhe desse apoio e lhe trouxesse livros e códigos que ele precisava e por isso desistiu do curso de Direito", adiantou fonte prisional ao DN. "Só vem a sua prima visitá-lo, uma vez por mês. Da última vez que veio vê-lo até lhe trouxe um CD de música."
Tó Jó saiu há pouco tempo da banda rock do EP de Coimbra, onde tocava viola, por desentendimentos no grupo. Problemas "que nada tiveram que ver com o Tó Jó, que é uma pessoa muito calma e que não se mete em confusões".
Calmo e reservado, o jovem que chocou o País quando matou os pais à facada impressiona os guardas com a sua "boa educação e comportamento exemplar".
Tó Jó já cumpriu onze dos 25 anos de prisão a que foi condenado. Dentro do EP Coimbra é agora o recluso responsável pelo trabalho na biblioteca da prisão. "Vai buscar os jornais diários e está em contacto directo com a educadora que coordena a biblioteca. É um espaço bom para ele, pois gosta muito de ler." Tó Jó está em reclusão numa cela individual da Ala C, a chamada "ala do respeito". São 56 reclusos distribuídos por três pisos, todos com um perfil de comportamento exemplar.

