Na série Mentes Criminosas, exibida no canal AXN, interpreta o agente Aaron Hotchner, chefe da unidade de análise comportamental do FBI. Ao longo destas 11 temporadas, o que é que já aprendeu com esta personagem?.Aprendi coisas com ele, mas espero também ter-lhe ensinado algo. Espero ter conseguido ensinar-lhe a ser mais relaxado quando não está a trabalhar. Ele é muito focado e dedicado e acho que foi isso que tirei dele. A dedicação, a disciplina e o foco. O facto de ele ter visto a mulher a morrer e de estar sob uma constante exposição a um nível tão elevado de violência e depravação faz com que seja compreensível que ele reaja desta forma..Enquanto ator e realizador, e com uma carreira tão extensa, qual foi o maior desafio desta personagem?.Uma das coisas que mais me agrada pelo facto de interpretar esta personagem há tanto tempo é perceber a camaradagem que existe no elenco. Ao longo dos anos houve algumas mudanças no grupo, mas sentimos que a essência e que o coração ainda estão presentes..O que nem sempre acontece....Tem sido uma experiência extraordinária precisamente porque não é muito comum. Neste caso tem sido fantástico, também para os meus filhos, que têm tido a oportunidade de crescer com este grupo de pessoas, naquele cenário de gravações. Eles não vivem em Los Angeles, mas visitam-me muitas vezes. Há uns anos, quando realizei um dos episódios desta série, um dos meus filhos fez uma música em guitarra que chegou a entrar nesse episódio. Foi fantástico..Depois de alguma incerteza, foi dada luz verde à 12.ª temporada de Mentes Criminosas, que se estreia em setembro. O que é que nos pode contar?.A 11.ª temporada terminou com uma fuga da prisão, através da qual várias pessoas de má índole conseguiram escapar, e basicamente estamos focados em voltar a colocar essas pessoas na prisão. No início da 12.ª temporada, a nossa equipa está desfalcada, porque o Derek Morgan [Shemar Moore] saiu, mas vamos apresentar uma nova personagem, que será interpretada pelo ator Adam Rodriguez..Além de Mentes Criminosas, existem várias outras séries policiais, tais como Investigação Criminal, Ossos, Castle e a saga CSI, que terminou recente. O que faz com que os espectadores sejam tão ávidos por esta temática?.Não sei (risos). Mas fico satisfeito por gostarem. Sempre gostei de histórias de mistério, e elas já fazem sucesso há vários anos. Temos o caso do Sherlock Holmes ou da Agatha Christie. As pessoas são fascinadas pelo mundo do crime e pelas histórias das pessoas que tentam apanhar os criminosos. Nos EUA, as séries policiais sempre foram uma bela matéria-prima..E qual é a explicação?.As pessoas querem que o mundo faça sentido, que do caos se restabeleça a normalidade. Era bom que assim fosse, mas é mais um desejo do que a realidade. As pessoas que fazem este trabalho na vida real são muito dedicadas e eficientes, mas nem sempre conseguem apanhar os criminosos..Na sua opinião, o que é que distingue esta série das demais centradas no universo do crime?.O facto de estar centrada na psicologia forense. É isso que torna esta série tão interessante. Outro dos motivos que explicam que esta série seja um êxito a nível internacional é o facto de retratar casos humanos. Quando li a história sobre aquele homem louco que matou a deputada conservadora britânica Jo Cox imediatamente questionei-me: "O que aconteceu na vida desta pessoa que fez com que fosse capaz de cometer este crime?". É um ser humano, mas cometeu um ato monstruoso. "O que é que aconteceu? Qual é a diferença entre a minha vida e a vida dele?". É óbvio que existem grandes diferenças e é essa terrível combinação de acontecimentos misturada com a neuroquímica que faz disparar o gatilho. E isso é algo que desperta interesse ao ser humano, de uma forma obscura, e também fascínio..É essa a receita do êxito?.Também acrescento o facto de acompanhar o quotidiano de um grupo de pessoas que dedica as suas vidas a investigar, apanhar e compreender estas pessoas. As personagens são interessantes, os atores são interessantes. Mas não existe uma receita. Podemos colocar todos estes elementos numa outra série e ela não funcionar..Mentes Criminosas segue a componente psicológica dos serial killers, expondo o lado mais negro da humanidade. Sentiu-se chocado em algum momento?.O FBI coleciona estes casos em dossiês para que sejam traçados os perfis dos criminosos. Eu li alguns desses dossiês. A apetência para a crueldade (pausa) é difícil acreditar. Essa foi a parte mais difícil. Um dos profissionais que trabalha connosco já foi criminologista, trabalhou nessa unidade do FBI durante 26 anos. Um dos episódios que realizei foi escrito por ele e baseado num dos casos em que ele tinha trabalhado..Como foi esse processo?.Fomos obrigados a alterar alguns elementos dessa história, porque ela era demasiado macabra. E nessa ocasião eu perguntei-lhe: "Como foste capaz de trabalhar nesta área durante tantos anos, sem entrar em depressão?" Respondeu-me que se considerava um sortudo por trabalhar em casos como este. A isto chama-se dedicação..Apesar de ter um vasto currículo, já trabalha nesta série há 11 anos. Não tem receio de ficar colado ao agente Hotchner?.É normal que as pessoas venham a associar-me a este papel, por interpretá-lo há tantos anos. Mas tenho fé e confiança na minha habilidade de fazer coisas diferentes. Acho que as pessoas vão conseguir acompanhar-me e dar o salto..Já tem em mente outros projetos, além desta série?.A verdade é que não tenho muito tempo. Quando estou de férias a única coisa que quero é estar com a minha família. Mas gostava de apostar na minha carreira de realizador. Tenho a certeza de que vão surgir muitos projetos no futuro..Mentes Criminosas vai continuar a fazer parte desses projetos?.Não sei. Neste momento estou focado nesta temporada. Acho que é para continuar, mas vamos ver.