Ter e erguer a voz, mas com maturidade

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Ter voz e erguer a voz são conquistas da democracia. Hoje é Dia Mundial da Voz e é através dela que traduzimos quem somos, o que sentimos e como vemos o que nos rodeia. É também pela via da voz que reclamamos o que queremos para nós, enquanto cidadãos, e para a nação, e que elogiamos o que Portugal faz bem e apontamos o que poderia fazer melhor.

Nunca prescindir de içar a voz é um garante da liberdade. Tantas vezes os jornalistas e comentadores são criticados pelo que noticiam ou pelo que analisam. Não fossem eles, e os seus meios - jornais, revistas, rádios, televisões e sites - e hoje não saberíamos dos casos e casinhos políticos, dos escândalos como o da TAP ou do assédio no CES, na Universidade de Coimbra, que hoje o DN volta a noticiar, com novas revelações.

O Dia Mundial da Voz deverá ter tido a sua origem no Brasil em 1999, por iniciativa de um grupo de médicos, fonoaudiólogos e professores de canto que pertenciam à antiga Sociedade Brasileira de Laringologia e Voz (SBLV). O exemplo foi depois seguido por outros países, como Portugal, e a data passou a ser reconhecida em várias nações. Nos Estados Unidos, a Academia Americana de Otorrinolaringologia reconheceu-o oficialmente em 2002.

A voz revela várias características individuais. Através dela identificamos e reconhecemos alguém, as suas emoções e estados de alma, associamos esses sons a um determinado perfil de personalidade e, como tantas vezes acontece quando ouvimos a rádio, até imaginamos como será essa pessoa fisicamente. A voz é equiparada ao sentido do tato, mas à distância, daí que, tantas vezes, possamos descrevê-la como suave, macia, áspera. Repare, se ouvir um dos recentes debates parlamentares na televisão, mas fechar os olhos, vai perceber o quão crispado o país está e vai entender, por exemplo, por que Edite Estrela (deputada socialista e vice-presidente da Assembleia da República) se sentiu atacada e desrespeitada por André Ventura (líder do Chega) nos últimos dias.

Ao longo da vida a voz modifica-se, o que tecnicamente se explica pelas mudanças no número de vibrações por segundo. Por outras palavras, a voz envelhece e ganha maturidade. Assim, em relação aos debates no Parlamento fica a esperança de que também alcancem a digna maturidade.

Hoje esta data é muito mais do que um mero ato de consciencialização para a importância da nossa voz e dos cuidados necessários para preservar. É também um manifesto por um mundo mais livre e equilibrado. Coincidentemente, assinala-se neste mês tão importante para os portugueses, o mês da Revolução dos Cravos. Daqui a nove dias estaremos a celebrar o 25 de Abril. Erguemos a voz em prol de um país mais desenvolvido e equitativo.

Nota da Direção

A equipa do DN e os seus leitores estão de parabéns. No final de mais uma semana de intenso trabalho, vale a pena trazer à estampa os últimos números da audiências online desta marca de informação: o site ganhou 218 mil leitores em março e ultrapassou os 2,1 milhões. Assim, teve um aumento de 11,5% face ao mês anterior. O DN obteve a maior subida entre os jornais diários generalistas, segundo o ranking netAudience da Marktest, a ferramenta de referência de medição de reach (alcance) na internet. O Global Media Group, a que pertence o jornal, ultrapassou a Cofina e é o segundo grupo de media com mais alcance.

Diretora do Diário de Notícias

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