Ter conta num só banco permite reduzir custos

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Possuir conta bancária em mais do que um banco é prática normal entre os portugueses, nomeadamente nos segmentos médio e alto de mercado. Mas, actualmente, será que compensa dispersar os diversos produtos e serviços bancários comuns à maioria dos cidadãos por mais do que um banco? Ou será preferível trabalhar apenas com uma instituição de crédito, concentrando poupanças, créditos, domiciliação de vencimentos e cartões?

A questão ganha pertinência numa altura em que a banca oferece cada vez mais vantagens, à medida que o cliente aumenta a sua relação com o banco, ou seja, tem mais produtos e serviços, o chamado cross-selling. Com a forte concorrência bancária e o reduzido número de clientes bancários ainda disponíveis, a estratégia passa por fidelizar os já existentes, oferecendo-lhes menores custos, à medida que o seu porta-fólio de produtos aumenta.

No entanto, saber se existem vantagens ou não em trabalhar com um único banco depende essencialmente do perfil do cliente, mais concretamente de saber o que este pretende numa relação bancária. "Se o que o particular quer é ter menores custos, quer para o seu crédito quer para as despesas de manutenção da sua conta, então a concentração num só banco terá vantagens", afirmou ao DN um analista bancário, acrescentando que estarão nesta situação os clientes de segmento médio de mercado.

Para os clientes de mais elevado rendimento, que procuram essencialmente as remunerações mais vantajosas para as suas poupanças e a facilidade em obter créditos em diferentes instituições, por exemplo, então não terá qualquer vantagem em trabalhar com um único banco, mas sim em diversificar as suas aplicações e produtos bancários. "Quando se procura o máximo de rentabilidade, diversificando o risco, não se pode ficar refém de uma única gestão bancária", adianta o mesmo analista, lembrando a velha fórmula do investidor, segundo a qual "não se deve colocar todos os ovos no mesmo cesto".

Para João Fernandes, economista da Deco especialista em questões bancárias, a questão não deve ser vista de forma linear. "O cliente deverá analisar bem todos os custos na sua relação com o banco, para poder concluir se é vantajoso ou não concentrar tudo numa única instituição", refere ao DN.

Para este analista da Deco, para cada produto, o cliente deverá fazer primeiramente uma ronda junto de mais do que um banco, para poder comparar as condições oferecidas por cada um deles.

João Fernandes considera, no entanto, que hoje em dia a oferta bancária permite a isenção de algumas despesas, dependendo quase sempre de uma negociação com o banco.

'Guerra' da fidelização

Com a forte concentração bancária, sobretudo no retalho, e os elevados níveis de bancarização por portugueses, é difícil aos bancos aumentarem o número de clientes, um dos objectivos inscritos em quase todas as estratégias comerciais. Como consegui-lo?

A disputa situa-se quer na fidelização e manutenção dos clientes já existentes quer na captação de novos, com atenção especial para os "descontentes" de outras instituições. Para o consumidor, nesta "guerra" concorrencial poderá estar uma oportunidade de reduzir os seus custos para com o banco, com especial destaque para condições mais vantajosas na negociação de um crédito à habitação.

Actualmente, o Banco Espírito Santo (BES) tem em curso uma campanha, promovendo a sua Conta BES 100%, que oferece vantagens a quem tiver o ordenado no banco e um outro produto (um PPR ou um Plano BES). Ou seja, com estas duas condições exigidas ao cliente, o BES consegue que cada um deles possa alcançar um nível de cross-selling mais elevado, ou seja, chegar aos dez produtos por clientes, com uma vantagem acrescida para cada um deles.

Trata-se de uma estratégia na qual outras instituições têm igualmente vindo a apostar, como é o caso do Millennium bcp, com o produto Cliente Frequente, que aplica uma comissão única mensal para quem possuir um conjunto de produtos e serviços. Também o Santander Totta possui o Conta Connosco, que oferece outras vantagens a quem reforçar o seu relacionamento com o banco.

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