Televisão: Co-produção luso-espanhola de Leonel Vieira estreia-se esta semana na Galiza

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Madrid, 13 Abr (Lusa) - O impacto do mundo do narcotráfico nas comunidades piscatórias do Norte de Portugal e da Galiza é o tema central de "Conexão", uma co-produção luso-espanhola realizada por Leonel Vieira e que se estreia terça-feira na Galiza.

Em dois episódios de 85 minutos cada, a série descreve uma história colectiva de personagens que, tanto em Portugal como em Espanha, se viram envolvidas no mundo do narcotráfico.

Em declarações à Lusa, Leonel Vieira considerou que o narcotráfico é "uma questão importante da realidade", que no formato de uma série para televisão pode ser mais facilmente enquadrado em termos sociais e culturais.

"É um tema que interessa muito ao grande público. Pessoalmente tenho um gosto pessoal por temas do submundo e gosto de poder abordar estes projectos, procurando construir ficção que tenha consciência social. Não tenho pretensões de fazer análises sociológicas, mas procuro permitir às pessoas que olhem de frente para estes problemas", afirmou.

Apesar da presença constante de notícias sobre o problema do narcotráfico, Leonel Vieira reconhece que em muitos casos as pessoas "tendem a pensar que é um tema de outra galáxia", que sentem que a droga "é uma coisa das ruas, onde os problemas são muito distantes".

"Mas o que se vê é que isto é o nosso mundo. De gente que está próxima de nós", frisou.

A série conta a história de "gente boa e de gente má", com um final trágico onde se analisa a pirâmide do negócio da droga, olhando não para um mafioso mas para famílias de pescadores, numa praia do Minho, e uma família de narcotraficantes galegos.

"Aqui não há um protagonista mas vários protagonistas. De gente que começa com um stand de automóveis e se mete no negócio do haxixe e acaba por se meter nos negócios com colombianos. De gente com ambição desmedida", assinalou.

Procurando analisar as várias faces do problema do narcotráfico, a série reconhece o impacto da destruição da frota pesqueira portuguesa e o problema da crise das pescas, situações que empurram várias famílias para encontrarem alternativas possíveis, entrando num mundo da droga e em todos os seus problemas.

"Tem vários lados da moeda. Histórias que se cruzam. De pessoas que não resistem a entrar neste mundo e de outros pescadores que resistem, se sacrificam e não caem nas malhas das redes de narcotráfico", explicou.

O projecto, concluído há 15 dias e que será apresentado terça-feira na delegação do Instituto Camões em Vigo (Galiza), é uma co-produção da Stopline (Lisboa), da Continental (Galiza) e da Prodígios (Barcelona), sendo cofinanciada e produzida pela RTP, TvG (Galiza) e pela TV3 (Catalunha).

Entre outras, a série conta com interpretações de Ivo Canelas, Mariana Monteiro, Susana Arrais, Mela Casal, Xavier Deive e Monti Castiñeiras.

Leonel Vieira reconhece que são poucos os esforços de co-produção entre Portugal e Espanha, tanto a nível de televisão como de cinema, sustentando que este deve ser o caminho para combater a crise do audiovisual na Europa.

"Não podemos pensar em co-produções apenas como projectos em que outros financiam as nossas histórias, mas sim em projectos que vão interessar a muitos públicos. E para isso temos milhares de histórias comuns que podemos contar", disse.

Maria São José, directora adjunta de Programas no Canal 1 da RTP, admitiu à Lusa que o cenário das co-produções com Espanha só recentemente começou a fazer parte da estratégia da RTP.

Para que iniciativas se concretizem, porém, é necessário que haja vontades e projectos comuns, como é o caso de "Conexão".

"Tudo bateu certo neste projecto. Havia a vontade da RTP e da Galiza de fazer projectos em conjunto e surgiu este projecto do Leonel Vieira que tem tudo para ser feito em comum, porque a acção se desenvolve nos dois lados da raia", referiu.

"Tem de haver intenções mas depois é preciso conseguir fazer as coisas. E foi da junção destas duas questões que nasceu a série", acrescentou.

Até ao momento não há data para a estreia em Portugal da série, que, inicialmente, será apresentada numa sala de cinema e que pode, antes de chegar à televisão, entrar formalmente nos circuitos de cinema.

"Este projecto - assegurou - tem dimensão para isso. Ainda estamos a estudar usar a cópia da apresentação em Lisboa para uma exibição nas salas de cinema. É uma ideia que estamos a estudar. Depois virá a estreia na televisão".

ASP.

Lusa/Fim

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