A justificação para esta decisão, que implica a suspensão de dezenas de voos para o seu principal destino nas rotas internacionais da TAAG, foi "razões operacionais", sem adiantar outros pormenores. A Agência Lusa tentou junto da companhia obter pormenores, mas foi apenas remetida para o anúncio feito na rádio estatal angolana. Esta suspensão surge cerca de três meses depois da companhia, tal como a portuguesa TAP, e no mesmo destino, ter aumentado a frequência dos voos de sete para 11 voos semanais. Uma das razões possíveis para esta decisão é a fraca ocupação de alguns dos voos para Lisboa na TAAG, conforme confirmaram à Lusa passageiros que recentemente se viram impedidos de voar companhia angolana para a capital portuguesa, tendo sido transferidos para o voo TAP do mesmo dia, que também não estava lotado. Lisboa é actualmente a única linha da TAAG para a Europa depois do levantamento parcial, em Agosto, da proibição imposta pelo comité de segurança aérea da União Europeia em 2007, após a descoberta de problemas de segurança num aeroporto francês em aviões da transportadora de bandeira angolana. Após a entrada na "lista negra" europeia, a TAAG procedeu a uma profunda reestruturação da empresa em todas as suas áreas, desde a segurança à organização interna, o que resultou na permissão parcial de voar para a Europa, cabendo ao INAC português as fiscalizações periódicas aos aparelhos até que Bruxelas tome a decisão do levantamento integral da proibição. A escolha de Lisboa para único destino nesta fase foi justificada pela TAAG, através de Rui Carreira, que integra a comissão de gestão da companhia, por ser, do ponto de vista comercial, a melhor rota, com quase 80 por cento dos voos internacionais. "A União Europeia colocou-nos algumas condições, mas fomos soberanos na tomada de decisão e optámos por Lisboa, porque do ponto de vista comercial é a nossa melhor rota", salientou Rui Carreira. Segundo este responsável, a rota de Lisboa não foi imposta pela União Europeia, mas uma escolha da companhia aérea angolana, embora reconheça que a TAAG ainda não esteja em condições de voar para outras capitais europeias.