Sustentabilidade: uma balança que precisa de equilíbrio
Hoje, é impensável pensar numa sociedade em que a palavra sustentabilidade não esteja presente no seu dia a dia. A facilidade com que tornámos esta palavra corriqueira, fruto da sua importância é extremamente interessante de analisar tendo em conta dois pontos de partida:
O primeiro, onde o mediatismo associado à sustentabilidade coincide com o aumento da preocupação e da consciencialização das pessoas e empresas. O segundo, que pode ser desafiante na medida em que pode existir uma certa fadiga por parte do público devido à alta exposição mediática em torno deste tema.
Porém, escrevo seguindo o primeiro pressuposto. Nesse sentido, a cada dia que passa, a tendência em adotarmos ações que vão ao encontro da sustentabilidade parece aumentar. Atualmente, é impensável pensarmos e agirmos sem termos em conta o futuro, quer do planeta, quer das próximas gerações.
Para que seja possível pensarmos, não num futuro melhor, mas apenas num futuro é crucial estarmos todos em sintonia na recuperação das nossas sociedades, desde as iniciativas do setor público, mas principalmente às iniciativas do setor privado que podem (e devem) ter aqui uma palavra a dizer.
Incidindo sobre este aspeto, podemos começar por falar da cultura empresarial, pois é neste cenário que o primeiro passo é dado. Enquanto líderes empresariais, é crucial sermos os primeiros a tomar a iniciativa para que, por sua vez, consigamos influenciar os demais, sejam estes colaboradores ou stakeholders. Ao dia de hoje, existem tantas e são tão diversas as formas de incorporar a sustentabilidade nas práticas de uma empresa, que acaba por ser inevitável a sua adoção, se quiserem ser bem-sucedidas. Falo de "pequenos" passos como a eficiência energética, a gestão de resíduos ou simplesmente programas de consciencialização para colaboradores se envolverem em iniciativas de responsabilidade social e ambiental.
Se olharmos para o caso do nosso país e tendo em conta a agenda de 2030 das Nações Unidas, vemos que a sustentabilidade se tem tornado uma prioridade no mundo empresarial. Aliás, diria mesmo que já faz parte da rotina diária de muitas das organizações que compõem o tecido empresarial. Porém e, apesar de em Portugal
caminharmos com o intuito de recuperar algum tempo perdido nesta temática, continuamos, ainda, a estar abaixo da média europeia no que aos critérios ESG diz respeito, o que nos deve alertar para a necessitar de transitar para uma realidade inevitavelmente mais sustentável.
A Jornada 2030 pode ser um excelente exemplo para corroborar o que aqui escrevo. Se olharmos para o estudo realizado pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, podemos verificar que o projeto conta já com mais de 180 empresas signatárias. No entanto, e apesar de 11% das empresas já ter construído uma base sólida e robusta, muitas destas acabam por estagnar, não conseguindo chegar até ao fim do processo.
Se entrarmos a fundo nesta questão, acabamos por verificar que existem múltiplos entraves que dificultam, não só a sobrevivência das empresas como também a sua adaptação a um modelo de negócio mais sustentável. Aqui, é claro que os recursos financeiros ainda se assumem um dos maiores obstáculos nesta longa jornada. Mas não só, podemos também falar na falta de consciencialização e conhecimento que hoje ainda existe na nossa sociedade (por mais estranho que pareça) ou na regulamentação que ainda parece ter um longo caminho a percorrer.
Contudo, é neste cenário que entram as estratégias de liderança, responsáveis por encontrar soluções que respondam a estes desafios que se colocam. O grande desafio está em conseguir encontrar o equilíbrio entre a vertente económica, social e ambiental de uma empresa. Conseguir encontrar uma harmonia entre estes três espetos, permitirá não só ultrapassar as barreiras que hoje existem como também caminhar em direção a um país mais próspero, quer economicamente, quer na sua vertente sustentável.
CEO da ACEDE - Empresa de Trabalho Temporário

