Surto de sarampo na Europa. DGS reforça vacinação
Só este ano, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS), já foram notificados mais de 500 casos de sarampo em 7 dos 14 países onde a doença ainda existe: França, Alemanha, Polónia, Suíça, Ucrânia, Itália e Roménia. Nos últimos 12 meses a Europa registou 4986 casos, dos quais 4484 em países da União Europeia. Em Portugal a Direção-Geral da Saúde (DGS) está a reforçar a vacinação, com os centros de saúde a contactar quem possa ter a vacina em atraso, para garantir que os níveis de proteção se mantém altos. Este ano as autoridades já receberam duas notificações, um caso importado da Venezuela e outro notificado ontem.
O sarampo é uma das doenças mais contagiosas, por norma benigna que provoca febre, tosse, erupção cutânea. Mas que pode também resultar em casos graves, até mesmo mortais. Portugal teve 8 infeções confirmadas, todas importadas, entre 2011 e 2013, segundo os últimos dados da DGS, e em 2016 recebeu da OMS os certificados da eliminação, que mantém, desta doença e da rubéola.
"Não temos surtos há mais de 10 anos. Este ano tivemos um caso importado da Venezuela, que não deu origem a nenhum caso secundário, e um outro notificado hoje [ontem] que está a ser estudado. Estamos a fazer um enorme apelo à vacinação. Estamos rodeados de casos na Europa e o sarampo é altamente contagioso. Não há risco zero", afirma Graça Freitas, subdiretora da DGS.
O país iniciou a vacinação contra o sarampo em 1973 e desde então mantém-se no Programa Nacional de Vacinação. É dada em duas doses (VASPR, que imuniza também contra a rubéola e a parotidite epidémica), aos 12 meses e cinco anos. A taxa de cobertura nacional está entre os 95% ou mais. "Em algumas zonas está umas décimas abaixo e estamos a chamar os meninos que tenham a vacinação em atraso. Sempre que detetamos estas situações, os centros de saúde fazem convocatórias porque o risco existe. As pessoas têm de ter essa noção. A ideia é minimizar estas bolsas suscetíveis e repescar todas as crianças." Sobre os surtos na Europa, Graça Freitas explica que resultam de dois movimentos: "Os que são contra as vacinas por razões religiosas ou filosóficas e o grupo que não se vacina por falsa segurança, que nunca viram a doença e são complacentes em relação à vacinação."
18 mortes na Europa
As situações mais preocupantes na Europa, segundo o relatório da OMS publicado esta semana, vivem-se na Roménia com 1995 casos e 17 mortes contabilizadas nos últimos 12 meses (o Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doença tem apenas 13 registados). Na Itália as autoridades também estão em alerta: 1020 casos já contabilizados. Já o Reino Unido soma 575 casos e uma morte.
"Depois dos progressos constantes feitos nos últimos dois anos em direção à eliminação, é preocupante que os casos de sarampo estejam a aumentar na Europa. Os padrões de viagem de hoje não colocam ninguém nem nenhum país fora do alcance do vírus. Os surtos continuarão na Europa, como noutros países, até que cada um alcance o nível de imunização necessário para proteger as populações", disse Zsuzsanna Jakab, diretora da OMS para a Europa, em comunicado.
A maioria dos casos (82,6%) notificados, ao Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doença, são pessoas não vacinadas. É preciso assegurar um mínimo de 95% de taxa de cobertura da população para quebrar a transmissão da doença. Dos 53 países europeus, dois terços já interromperam a cadeia de transmissão. Destes, 24 têm a doença eliminada.

