Suicídio nas polícias: causas pessoais e profissionais

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Foi apresentado na última semana o mais recente estudo sobre o suicídio nas forças de segurança. A principal conclusão remete para a origem das causas dos suicídios serem essencialmente de cariz pessoal.

Se se alargar o significado de "pessoal", as causas referidas abarcarão os problemas pessoais e os problemas profissionais, pois ambos são relativos ao mesmo indivíduo. O indivíduo tem de gerir as exigências do seu meio e as específicas da sua profissão, tendo em conta as características da sua personalidade, por forma a apresentar à sociedade um comportamento adaptado e não patológico. O indivíduo elemento das forças de segurança é visto como um todo e qualquer intervenção terá de ser global e multidisciplinar: focada na resolução dos seus problemas pessoais, mas salvaguardando sempre o seu desempenho profissional e vice-versa.

As condições da missão desempenhada pelas forças de segurança - contacto com situações potencialmente traumáticas, risco de morte e níveis altos de stress e ansiedade - obrigam a que seja feito um permanente acompanhamento aos elementos destas forças. O acompanhamento não passa apenas pelas consultas de psiquiatria e psicologia, mas passa também pela "prevenção". Requer-se assim uma proatividade dos técnicos de saúde mental, indo ao encontro e conhecendo a realidade profissional dos elementos das forças de segurança. Esta intervenção ganha mais importância porque os elementos das forças de segurança têm um acesso facilitado a armas de fogo, o que, em conjunto com outros, poderá ser um fator facilitador da passagem ao ato.

O acompanhamento a realizar iniciar-se-á se, aquando da seleção dos elementos para as forças de segurança, forem definidas estratégias a treinar com os indivíduos por forma a muni-los de técnicas para gerirem no seu dia-a-dia a desmotivação, o stress e a ansiedade. Em simultâneo, consegue-se trabalhar e adaptar as expectativas dos indivíduos à realidade e exigência da profissão, ao perceber-se qual era o pensamento inicial que tinham sobre a profissão e o que esta é na realidade, evitando assim desajustamentos entre indivíduo e missão a desempenhar.

Um maior apoio psicológico e psiquiátrico terá de incidir em: preventivamente acompanhar e treinar competências psicológicas dos indivíduos; tratar e acompanhar as sequelas deixadas nos colegas e familiares dos elementos que se suicidam.

O apoio que se queira providenciar só será viável se toda a organização estiver envolvida, quer sejam os comando das instituições, os colegas dos que estão mais instáveis emocionalmente, assim como os próprios, utilizando os recursos disponíveis e pedindo ajuda. Será igualmente proveitoso informar, esclarecer, desmistificar e colocar as pessoas a falar e não encarar o assunto do suicídio como um tabu.

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