Sugerido compromisso para aldeia palestiniana ameaçada de destruição

Advogados palestinianos que defendem uma aldeia beduína ameaçada de destruição na Cisjordânia ocupada sugeriram que os aldeões se reinstalem num local da sua escolha próximo da sua localidade.
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A aldeia de Khan al-Ahmar, situada a leste de Jerusalém, perto de colonatos israelitas, é sobretudo constituída por habitações e estruturas frágeis, como é geralmente o caso das aldeias beduínas da região.

O Supremo Tribunal rejeitou em maio um recurso dos habitantes contra a demolição da aldeia, depois de as autoridades israelitas terem considerado que ela foi construída ilegalmente, mas suspendeu provisoriamente a ordem de demolição na sequência da interposição de dois novos recursos judiciais.

Os residentes e organizações de defesa dos direitos humanos sublinham, por seu turno, que é praticamente impossível aos palestinianos obterem junto de Israel autorização para construir nesse setor da Cisjordânia ocupada, onde o Estado hebreu controla a gestão dos assuntos civis.

Hoje, numa audiência de cinco horas, o tribunal pediu ao ministério público para ser flexível quanto às condições de realojamento dos 173 habitantes da aldeia.

As autoridades israelitas propuseram aos habitantes que se instalem perto de Abu Dis, na Cisjordânia ocupada, mas estes recusam, argumentando que o local escolhido se situa perto de um aterro sanitário, numa zona urbana onde não poderão pôr os seus animais a pastar.

Tawfiq Jabareen, um advogado que defende os interesses dos beduínos, disse hoje à imprensa que os habitantes da aldeia palestiniana de Anata, a oito quilómetros de Khan al-Ahmar, aceitaram que os beduínos utilizem as suas terras.

Segundo o jurista, uma responsável israelita encarregada do planeamento na Cisjordânia rejeitou esta opção sem ter autoridade para fazê-lo.

Os três juízes que hoje presidiram à sessão deram a cada uma das partes mais tempo para alcançar um compromisso a fim de evitar confrontos.

"Os juízes deram cinco dias ao Estado e mais outros cinco dias para que possamos responder, e o tribunal decidirá depois", explicou Jabareen.

Numa manifestação hoje realizada na aldeia, era visível a ira dos habitantes, que esperavam que a ordem de demolição fosse anulada pelo tribunal.

Israel ocupa há quase 50 anos o setor da Cisjordânia onde várias comunidades de beduínos se instalaram, a leste de Jerusalém - um setor para onde, segundo organizações não-governamentais (ONG) de defesa dos direitos humanos, o Estado hebreu projeta estender os seus colonatos.

Governos europeus, a ONU e ONG fizeram pressão contra a demolição desta aldeia, argumentando que tal extensão poderá dividir em dois a Cisjordânia e isolar o território da Jerusalém-leste anexada, da qual os palestinianos querem fazer a capital do seu futuro Estado.

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