Subida do gás e electricidade incentiva eficiência energética

O encarecimento do gás e da electricidade, com a subida do IVA prevista nas medidas de equilíbrio orçamental, incentiva à poupança e redução do desperdício de energia nos lares e empresas, defende o secretário de Estado do Ambiente.
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"Não detectei no pacote negociado [entre Governo, União Europeia e FMI] factores de insustentabilidade [ambiental] e há até alguns que, apesar das dificuldades que nos colocam, podem induzir sustentabilidade", disse à Lusa Humberto Rosa.

Para o Secretário de Estado, o aumento da factura de gás e eletricidade é também "uma grande oportunidade para cada um em sua casa adotar as medidas relativamente simples e os pequenos investimentos em eficiência energética que podem manter a sua fatura no nível que estava antes".

"Algumas destas medidas, ao deslocar algum peso fiscal para o consumo, em vez do trabalho, esperançosamente, podem de facto induzir sustentabilidade", afirma Rosa.

Apesar de "preocupado com a situação do país em geral e o impacto dos momentos difíceis" que se avizinham, o secretário de Estado não vê no pacote de austeridade retrocessos em termos de políticas de sustentabilidade.

"Vejo até algumas oportunidades. Aquilo que devemos canalizar as nossas energias é para fazermos uma recuperação em bases económicas novas, mais robustas, mais verdes e mais sustentáveis. Não vejo no pacote negociado uma ameaça a isso", afirma.

As medidas vão ter também um impacto nas tarifas subsidiadas para produtores de energias renováveis, com uma "recomendação forte" de redução dos subsídios, mas também aqui o secretário de Estado do Ambiente considera positivo maior critério nas ajudas, concentrando-as para formas de produção emergentes.

"À medida que a energia eólica começa a estar mais robusta, devemos virar e canalizar esses apoios que vêm da tarifa, por exemplo para a energia solar, que é na minha convicção aquela em que Portugal tem mais potencial e futuro", diz Humberto Rosa.

O "impulso" à produção de energias amigas do ambiente, que permitiu que no ano passado Portugal passasse a satisfazer 60 por cento das suas necessidades de eletricidade com formas renováveis deveu-se à energia eólica e hídrica e os investidores só avançariam garantias de tarifas por um período alargado, afirma.

"Não devemos abandonar essa política. Os investimentos que estão decididos, tarifas que estão negociadas, penso que se devem manter", adianta.

Mas "para os aumentos de produção de energia renovável no futuro" será precisa uma "afinação do quadro económico de apoio", sublinha.

"Parece-me uma boa recomendação de sustentabilidade", considera o secretário de Estado.

Humberto Rosa defende que o programa de mobilidade elétrica "pode ser um fator de recuperação da crise económica e não o contrário", embora admita que "há riscos" de que esta visão se perca com a urgência de combate à crise orçamental.

"Haverá até a tentação de alguns de pensar `deixemo-nos de fantasias de sustentabilidade e ambiente e vamos ao business as usual". É uma visão errada".

Mas, afirma, esta visão será forçosamente temperada com a escalada do preço do petróleo, que torna mais urgente o recurso a combustíveis alternativos.

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