Sorrisos e lágrimas numa semana em que Cavaco elogiou Montenegro

Estes foram dias com muitas lágrimas: em Israel e na Palestina houve reencontros entre famílias, na Índia 41 trabalhadores foram resgatados de um túnel onde estavam soterrados e em Portugal o primeiro-ministro viu o último orçamento do seu Governo ser aprovado e até se comoveu ao ser ovacionado pelos deputados do seu partido. Destaque ainda para uma nova aparição do antigo PR Cavaco Silva que foi ao congresso do PSD elogiar Luís Montenegro e lembrar que já tinha avisado que o Executivo não ia aguentar a legislatura. E depois... foi jantar.
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"Eu avisei" que o Governo caía. E agora "tenho de ir jantar"

Uma promessa, a bênção de um ídolo e um atraso para jantar. Se fosse preciso eleger três momentos do 41.º Congresso do PSD, estes seriam grandes candidatos. Reunidos em Almada, os sociais-democratas ouviram Luís Montenegro, o líder atual do partido, assumir uma postura de humildade - "sei que as pessoas esperam mais de mim do que aquilo que fui capaz de mostrar até agora" - e "abrir" a época das promessas eleitorais com a garantia de que um Governo do PSD irá aumentar os pensionistas. Mas para além dos discursos e promessas, os outros dois momentos mediáticos foram protagonizados pelo antigo Presidente da República e primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva. Com uma influência forte no partido, o ex-líder social-democrata foi ao congresso abençoar Montenegro e lembrar que já tinha antecipado "a situação a que o país ia chegar." "Falei mesmo então, há seis meses, na possibilidade de o primeiro-ministro apresentar a demissão e de serem convocadas eleições antecipadas", disse. E depois rematou as suas declarações com uma referência gastronómica (lembrando a cena do bolo-rei de há uns anos): "A minha mulher está à minha espera para jantar e eu gostaria de me juntar a ela." E assim acabou o 41.º Congresso do PSD.

Emily e Tom. Abraço comovente após 50 dias em cativeiro

O drama que se vive na Faixa de Gaza desde 7 de outubro -- quando o Hamas matou 1200 pessoas em Israel -- está diariamente nas televisões, com imagens violentas que dispensam mais palavras. Uma catástrofe humanitária, cujo real impacto ainda vai demorar a ser conhecido. Mas no meio de tanta desgraça e famílias destruídas -- tanto do lado israelita, como do palestiniano -- neste dia aconteceu um reencontro que se julgava impossível: Tom Hand pôde abraçar a filha Emily, após esta ter estado 50 dias em cativeiro. Tom ficou conhecido por, numa entrevista, ter dito que estava contente por a filha ter morrido no dia 7 -- foi essa a informação transmitida pelo Exército de Israel logo após o ataque do Hamas --, pois não imaginava o que poderia acontecer à filha se tivesse sido raptada. Agora, para felicidade dos dois, Emily foi um dos reféns libertados durante as tréguas acordadas entre Israel e o movimento terrorista. A criança fez 9 anos a 17 de outubro, portanto em cativeiro, e quando foi libertada estava de boa saúde. O pai, enquanto chorava, garantia que a ia levar a todos os sítios que ela quisesse para festejar o aniversário. Bem merecem os dois.

Mais dois dias de tréguas em Gaza. Para já, apenas isso

Um "vislumbre de esperança e humanidade no meio da escuridão da guerra". Foi desta forma que o secretário-geral da ONU, António Guterres, comentou a decisão de Israel e do Hamas em prolongar por mais dois dias a trégua no conflito mantido desde 7 de outubro -- após um ataque em território israelita por parte de elementos do grupo terrorista, em que foram mortas 1200 pessoas e feitas reféns mais de 200. A suspensão dos ataques do Exército israelita em Gaza tem permitido a troca de reféns entre os dois oponentes e a entrada de ajuda humanitária para a população. Esta decisão levou quase de imediato a que surgissem apelos para um cessar-fogo duradouro, mas a resposta de ambos os lados não tem sido positiva. Aliás, Israel mantém que só parará quando dizimar o Hamas. O que poderá não ser concretizável...

Cinco minutos para a liberdade e 1090 euros de ajuda

Cinco minutos para a liberdade após 17 dias soterrados num túnel devido a um deslizamento de terras em Uttarakhand (Índia). Terminou assim o drama dos 41 trabalhadores que foram surpreendidos pelo desabamento e que durante todos esses dias aguardavam o resgate, operação que foi tendo avanços e recuos. Depois da saída -- cada um demorou cinco minutos a deixar o túnel --, foram surpreendidos com uma decisão do Governo Indiano: cada um vai receber 1090 euros como compensação. Já os socorristas que participaram nas operações de resgate irão receber metade dessa verba. Acabou, assim, a bem um drama que durante dias deixou em suspense a sociedade indiana, a ponto de o próprio primeiro-ministro Narendra Modi ter telefonado aos trabalhadores a transmitir-lhes o seu alívio pelo resgate.

Orçamento aprovado e um adeus com uma lágrima no canto do olho

Sem surpresa, o Orçamento de Estado para 2024, já com as negociações fechadas na especialidade, foi aprovado com os votos do Partido Socialista, a abstenção do PAN e do Livre e o chumbo dos restantes partidos (PCP, BE, PSD, IL e Chega). Por isso, além do consenso que o Governo conseguiu nas críticas -- toda a oposição contra, divergindo apenas no ângulo: para os partidos da Direita o OE é de Esquerda, para os de Esquerda é óbvio que a proposta serve os interesses da Direita --, todo o cerimonial de discursos e votação neste dia nada apresentou de novo. O único momento de relevo acabou por ser protagonizado pelo primeiro-ministro demissionário quando foi aplaudido por toda a bancada do seu partido. Nesse momento, após os elogios do líder da bancada Eurico Brilhante Dias, todos os deputados socialistas ovacionaram de pé António Costa. E este, emocionado, não conseguiu reter uma lágrima -- disfarçada, mas estava lá. Outra explicação para a emoção pode ser o facto de o tema Orçamento estar encerrado, o que até pode explicar um desabafo que terá tido já fora do hemiciclo: "Está feito". E quem não fica feliz quando termina uma tarefa?

Morreu aos 100 ano um dos políticos mais influentes do Mundo

Os 100 anos de Henry Kissinger não o impediam de ser ainda uma das figuras-chave da diplomacia mundial. Durante décadas tanto viu reconhecido o seu poder de influenciar e de manter pontes -- foi um dos responsáveis pela aproximação dos EUA à Rússia e à China, e ainda em julho esteve em Pequim para um encontro com o Presidente chinês Xi Jinping --, como recebeu críticas por algumas decisões como secretário de Estado norte-americano. Portugal mereceu muita atenção por parte de Henry Kissinger, que em 1974, na sequência do 25 de Abril, considerou que o país iria ser perdido "para os comunistas", entre outras considerações. A contestação em Portugal ao homem que serviu com os presidentes republicanos Richard Nixon e Gerald Ford, e teve um papel importante no tempo da Guerra Fria entre a Rússia e os EUA, chegou a merecer uma canção de Zeca Afonso: Os Fantoches de Kissinger, no disco Com as minhas tamanquinhas, como recordou a agência Lusa. Henry Kissinger morreu na sua casa no Connecticut e o seu legado foi recordado por todo o mundo.

Caso das gémeas. Marcelo disponível para ir a tribunal

Não influenciou ninguém a dar um tratamento preferencial a duas doentes e, se "aparecer alguém a dizer o contrário", está disponível para ir a tribunal. Nos últimos tempos há um caso que tem perseguido o Presidente da República: o das gémeas luso-brasileiras que receberam um tratamento para a atrofia muscular espinal, um dos mais caros do mundo, em tempo considerado recorde. Desde 4 de novembro -- altura em que a TVI emitiu uma reportagem sobre o caso -- que surgiram suspeitas do envolvimento de Marcelo Rebelo de Sousa, até porque a mãe das crianças disse que tinha pedido ajuda à nora do Presidente. De início Marcelo disse que ia esperar pelas investigações ao caso para falar, confirmando apenas que tinham sido recebidas duas cartas: uma para o chefe de gabinete do primeiro-ministro e outra para o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Com ou sem ação da sua parte, o Presidente já foi atingido pelo caso e vai continuar a ter de falar sobre o mesmo. Seja onde for...

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