Ontem ficou claro. Falando a jornalistas depois de mais um debate quinzenal no Parlamento, José Sócrates disse o que faltava sobre o apoio do PS português à recondução de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia. Reafirmou esse apoio. Mas acrescentou um dado novo: o PS português apoiará Durão mesmo que o PSE (Partido Socialista Europeu) vença as europeias. O PSE já anunciou - através do seu líder, o dinamarquês Poul Nyrup Rasmussen - que se for o partido mais votado nas europeias não apoiará Durão (que pertence a uma outra família política europeia, a do Partido Popular Europeu), apresentando um candidato próprio. .Dito doutro modo: se o PSE vencer as europeias, Sócrates poderá ficar na posição de defender um candidato a presidente da Comissão que não o apoiado pela sua própria família europeia. E é aqui que radica a diferença entre o pensamento do líder socialista português e a do seu cabeça de lista ao Parlamento Europeu, Vital Moreira. Este já afirmou que apoiará o candidato do PSE se o partido avançar com um nome próprio, em vencendo as eleições europeias. O constitucionalista acrescentou que só votará Durão se o PPE for o partido mais votado e se o ex-primeiro-ministro se mantiver como o seu candidato oficial à recondução na Comissão Europeia. "Respeitamos essa posição [de Vital Moreira] que é diversa da nossa. Todavia, a nossa diferença apenas se coloca no caso do PSE ganhar as eleições ao nível europeu", disse, sublinhando que Vital não é filiado no PS e que a sua "diferença" só "enriquece" a lista do partido. .Quanto ao apoio, explicou: "Todos os portugueses compreenderão se eu disser no Conselho Europeu que apoiarei Durão Barroso porque isso faz parte dos interesses dos portugueses.".O debate foi também marcado pela questão da corrupção. Paulo Rangel desafiou Sócrates a permitir que o PS aprove um projecto do PSD para criminalizar o enriquecimento ilícito. Sócrates disse que recusa enquanto não tiver garantias de que não é invertido o ónus da prova (a inversão do ónus da prova significa que são os suspeitos que têm de provar a sua inocência e não a investigação a sua culpa). "Recuso suspender o Estado de Direito para aprovar medidas oportunistas", afirmou. O PS "não está de alma e coração" na luta contra a corrupção, acusou Rangel..Num outro passo do debate, quando o interlocutor era Francisco Louçã, Sócrates afirmou-se "muito disponível" para melhorar os "todos os instrumentos" no combate à corrupção. Só não aceita "lições de moral" de ninguém. José Sócrates aproveitou o debate para anunciar duas medidas. Diminuirá os prazos do reembolso do IVA (no regime trimestral passarão de 106 para 60 dias; no mensal de 30 para 20 úteis). O primeiro-ministro disse ainda que o aval do Estado a linhas de crédito bonificadas para as micro-empresas vai ser alargado para 800 milhões de euros, visto que o plafond inicialmente atingido, 600 milhões, já foi atingido e até superado.