É recomendado que todos os homens após os 50 anos consultem regularmente o seu médico assistente, a fim de saberem qual o estado de saúde da sua próstata. Segundo os dados divulgados pela Associação Portuguesa de Urologia (APU), cerca de sessenta a setenta por cento dos homens com mais de 60 anos sofrem de hiperplasia benigna da próstata (HBP).Esta situação, embora não seja de origem maligna, pode provocar algumas complicações de saúde, nomeadamente no que se refere ao tracto urinário. «Com o crescimento da próstata, a uretra é comprimida, gerando uma obstrução urinária», explica Tomé Lopes, presidente da APU. Com a bexiga a realizar um maior esforço, os doentes apresentam maior frequência urinária e uma menor pressão do jacto, e têm mais «urgência» nas micções. Apesar de muitos homens julgarem que estes sintomas são próprios da idade, o especialista diz que não se deve virar as costas ao problema: «Hoje em dia, esta patologia é facilmente tratável, desde que os homens procurem o médico na fase inicial, aquando dos sintomas miccionais. Se protelarem, a HBP pode evoluir para estádios mais graves, em que a bexiga deixa de funcionar convenientemente.»Como não existe prevenção da HBP, aconselha-se que todos os homens a partir dos 50 anos façam a despistagem da doença junto do seu médico assistente, uma vez que as causas deste crescimento ainda não estão esclarecidas cientificamente: «Na consulta, faz-se o teste do antigénio específico da próstata (PSA) e a palpação da próstata.»O tratamento desta alteração está à distância da administração de «fármacos que reduzem o tamanho da próstata e facilitam a micção». A esmagadora maioria dos doentes «é tratada com medicamentos». Quando os sintomas são severos (sangue na urina, infecções urinárias de repetição, cálculos na bexiga) e a patologia já não é resolvida por via medicamentosa, «há indicação cirúrgica para a HBP». O lado mauContrariamente à HBP, o cancro da próstata é uma patologia de foro maligno que todos os anos atinge quatro mil novos doentes e tem uma taxa de mortalidade muito elevada (em Portugal, morrem cerca de 1500 homens por ano devido à neoplasia da próstata). Os homens de raça negra, a hereditariedade e o avanço da idade estão entre os principais factores de risco que conduzem ao aparecimento deste carcinoma: «Um homem que tenha história familiar de cancro da próstata tem cinco vezes mais hipóteses de desenvolver um tumor desta natureza.»Assim, para estes grupos de risco, é desejável que a consulta regular ao médico se deva realizar anualmente a partir dos 45 anos. Estas recomendações devem ser cumpridas à risca pelos homens, uma vez que o cancro da próstata não manifesta quaisquer sintomas quando ainda está localizado ao órgão: «O único meio de se fazer a despistagem é através de uma vigilância periódica.»Quando a doença evolui para fases mais avançadas, normalmente os homens apresentam sintomas urinários e sinais ligados às metástases, por exemplo dores lombares e ósseas. «Neste estádio, o cancro não é curável, embora existam tratamentos paliativos mas quando os carcinomas são detectados precocemente, a taxa de cura ronda os noventa por cento.» Os tratamentos para o cancro da próstata localizado são, geralmente, a prostactectomia radical (cirurgia em que se remove totalmente a próstata), a radioterapia externa e a braquiterapia, a chamada uma técnica de «inserção de sementes radioactivas dentro da próstata». Quando o cancro da próstata está localmente avançado, «procede-se à radioterapia externa, para controlo da doença local, e hormonoterapia, em injecções semestrais ou comprimidos, para tentar travar a metastização e disseminação do tumor». A terapia hormonal permite a redução do volume tumoral e, em certos casos, impede a progressão do cancro. No entanto, quando o diagnóstico é tardio, já em fase avançadas, «o prognóstico destes doentes é reservado». Tratando-se de um cancro de evolução lenta (apenas em alguns casos há registo de uma progressão mais rápida), a vigilância permanente e o diagnóstico precoce podem fazer a diferença entre a vida e a morte..Perguntas com resposta. Hiperplasia benigna da próstata é cancro? Não, é uma lesão benigna, tal como o próprio nome indica.. O cancro da próstata tem cura? Se for detectado em fases iniciais, quando o tumor está localizado, a taxa de sobrevida aos cinco anos ronda os noventa por cento;.Tenho de retirar a próstata quando se detecta um cancro? Caso o tumor esteja localizado, poderá não ser necessário proceder a uma prostactectomia radical. .Tenho antecedentes de cancro na família, o que devo fazer? Recomenda-se uma vigilância regular a partir dos 45 anos. . É normal ter sintomas de alterações urinárias a partir dos 50 anos de idade? Não é uma situação típica da idade. Em caso de dúvida, deverá consultar o médico assistente e aferir se o problema está relacionado com o crescimento da próstata..GenéticaErro na origem da doença dos pezinhos.Os registos históricos sugerem que a paramiloidose (vulgo doença dos pezinhos) terá surgido no nosso país há vários séculos, mantendo-se até aos dias de hoje. Segundo as estimativas, todos os anos surgem mais de cem novos casos em Portugal. .Basta um erro genético para virar toda uma vida do avesso. Que o digam os doentes que sofrem de paramiloidose, uma patologia rara e de carácter hereditário que afecta cerca de seiscentas famílias portuguesas. «A doença dos pezinhos, como vulgarmente é apelidada, transmite-se de pais para filhos. E cada descendente tem uma probabilidade de cinquenta por cento de herdar a anomalia genética», explica Teresa Coelho, responsável da Unidade Clínica de Paramiloidose (UCP) do Hospital de Santo António, no Porto. Por norma, os primeiros sintomas surgem já na idade adulta, por volta dos 32 anos. A doença dos pezinhos (paramiloidose) é provocada pela presença de uma proteína anormal no sangue. Dada a existência de um erro genético, esta proteína (a transtirretina) torna-se instável e deposita-se nos tecidos, particularmente nos nervos periféricos.«Está provado que a substância amilóide tem um efeito tóxico sobre os nervos periféricos. Estas estruturas têm a função de regular o funcionamento dos nossos órgãos e são também responsáveis por transmitir informações sensoriais e motoras, entre o cérebro e a periferia.» A parte mais susceptível dos nervos é a sua extremidade, razão pela qual a patologia provoca sensibilidade nos membros inferiores.«A doença dos pezinhos é uma patologia que, no prazo de dez a 15 anos após o aparecimento dos sintomas, conduz à morte.» As razões são vários: há uma perda de sensibilidade e força, mas também uma diminuição da capacidade de regulação do aparelho digestivo e cardiovascular, para além da ocorrência de infecções. «Como o doente se encontra debilitado, a infecção propaga-se e é fatal», esclarece a especialista. «Habitualmente, os doentes começam por apresentar problemas de sensibilidade nos pés e nas pernas e sentem uma espécie de choques eléctricos (dores nevrálgicas), com a sensação de formigueiros e pés adormecidos. Ao mesmo tempo, começam a emagrecer e a ter menos apetite, manifestando, em simultâneo, complicações intestinais.»Quando se pertence a uma família portadora do gene «defeituoso», há a possibilidade de os descendentes realizarem um teste genético, na idade adulta. Quando a paramiloidose «é diagnosticada precocemente, podemos encaminhar o doente para transplante hepático». E porquê? «Se substituirmos um fígado que está geneticamente programado para produzir uma proteína anormal por um novo órgão, livre de doença, paramos o processo de deposição da substância amilóide e, consequentemente, a destruição dos nervos periféricos.» Até agora, este era o único tratamento capaz de travar a evolução da doença. Mas nem sempre o número de órgãos disponíveis chega para as «encomendas». Um ensaio internacional, que durou 18 meses, procurou testar a capacidade de um fármaco novo tratar a paramiloidose. Segundo Teresa Coelho, que coordenou este ensaio clínico, «até agora, os resultados foram positivos». Este estudo concluiu que o medicamento estabiliza a transtirretina dos doentes e impede a progressão da doença. «Neste momento, após os testes efectuados, aguarda-se que as agências reguladoras analisem os resultados e aprovem este fármaco para o tratamento da doença.» Segundo Teresa Coelho, será um processo demorado, mas prevê-se que, no início de 2011, esta situação possa estar ultrapassada.