Este sistema, desenvolvido no âmbito do projeto MarinEye, torna possível a observação e a interpretação integrada dos diferentes componentes oceânicos (físicos, químicos e biológicos), disse à Lusa a investigadora do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), entidade que lidera o projeto, Catarina Magalhães..Para esse efeito, são utilizadas tecnologias avançadas e um método sincronizado, em termos espaciais e temporais, que está "ainda fora do nosso alcance nos dias atuais", indicou..Este protótipo é composto por vários módulos, sendo o primeiro um sistema com diferentes sensores físico-químicos, utilizados para medir a temperatura, a salinidade, o oxigénio dissolvido e o pH da água, por exemplo, e uma plataforma de sensores óticos, para medição de dióxido de carbono dissolvido..Os dois módulos seguintes englobam um sistema de imagem de alta resolução, que recolhe imagens de 'fito' e 'zooplâncton', de forma a avaliar a sua abundância e biodiversidade, e um sistema de acústica, para recolher dados hidroacústicos referentes à presença de mamíferos marinhos e de peixes..No último módulo encontra-se um sistema autónomo para filtrar e preservar o DNA e o RNA de diferentes classes de micro-organismos, que habitam e representam a biomassa dos oceanos..O protótipo inclui ainda uma plataforma para integrar os diferentes tipos de dados gerados, à qual está associado um 'software' que permite visualizar e sumariar essa informação.."A vida no planeta está dependente de processos oceânicos, uma vez que são eles que produzem grande parte do oxigénio disponível na Terra, regulam o clima e fornecem vários recursos vivos e não vivos, como alimentos, energia, transporte ou medicamentos", explicou Catarina Magalhães, em declarações prestadas à Lusa sobre o projeto, em fevereiro de 2016..Para a investigadora, o MarinEye possibilita recolher dados sobre a diversidade e a funcionalidade dos componentes biológicos que, embora escassos, são essenciais para a proteção e exploração dos oceanos de uma forma sustentada..Segunda indica, o protótipo e o conceito de monitorização marinha integrada, criados no âmbito deste projeto, vão evoluir no sentido de se aumentar o grau de maturidade da tecnologia desenvolvida, através da sua operacionalização em ambiente real, como é o caso dos observatórios oceânicos portugueses..A equipa pretende ainda integrar no sistema biossensores para recolher "o máximo" de informação possível, dos diferentes níveis do compartimento biológico, 'in situ'..No evento, que decorre às 16:00 no Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC, localizado no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), são esperados investigadores e interessados nas áreas da tecnologia e da monitorização marinha e ambiental..Para além do CIIMAR e do INESC TEC, no MarinEye, financiado pelo EEA Grants em cerca de 400 mil euros, colaboram o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente - Politécnico de Leiria (MARE - IP Leiria).