A Câmara de Sintra recusa hastear as três bandeiras azuis que conquistou este ano, depois de ver negado o galardão às praias Grande e do Magoito. "Não hastearemos nenhuma bandeira em sinal de protesto para com o comportamento da Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARH), que nos pressionou a apresentar as candidaturas mas não cumpriu o que estava acordado com a anterior entidade responsável, o Parque Natural Sintra-Cascais (PNSC)", explica o vice-presidente..Marco Almeida, que também é vereador do ambiente, diz que a autarquia "foi surpreendida" há uma semana com o anúncio de que a bandeira não seria atribuída à Praia Grande. A comissão que realizou a vistoria final a 18 de Junho terá detectado a falta de balneários e um problema de higiene provocado por um estacionamento em terra batida junto ao último bar, situações que o autarca atribui à ARH, a entidade que desde Outubro tem jurisdição sobre o litoral, nomeadamente sobre o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC).."A falta dos balneários é responsabilidade dos concessionários, que agora dependem directamente da ARH. Quanto à cafetaria, surpreendentemente foi licenciada pelo PNSC e funcionou no ano passado sem haver qualquer problema", revela. No início do ano, a câmara soube também que não poderia candidatar a praia do Magoito devido à instabilidade das arribas. "Não deixa de ser caricato que sendo a ARH responsável pela segurança das arribas, seja ela própria a convidar-nos a apresentar uma candidatura que depois é inviabilizada, numa atitude que considerei de má-fé"..As críticas à ARH surgem após esta entidade ter "ignorado" o trabalho realizado entre a câmara e o PNSC, que depende do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade. "São três anos de trabalho deitados para o lixo e isso desagrada à câmara, que não está disponível para prescindir desse esforço", afirma o vereador, que defende que "a ARH deve assumir os compromissos porque o Estado deve ser uma pessoa de boa-fé". .A crítica é partilhada pelos concessionários da Praia Grande, que se queixam da descoordenação entre entidades. "Estava tudo estipulado com a câmara e o Parque, e de um momento para o outro pára tudo", lamenta Renato Paço. Já Manuel Cotta, um dos sócios do último bar da praia, diz que "é normal haver atrasos quando mudam as entidades, mas o fundamental é que haja vontade para resolver os problemas"..O DN apurou que a autarquia pretendia realizar "intervenções de requalificação nas praias concessionadas e criar percursos pedonais", alguns dos quais chegou a iniciar. A revisão do POOC impunha-se sobretudo porque a autarquia pretendia a criação de mais duas concessões (ver caixa). .Apesar de se tratar de um galardão reconhecido internacionalmente, Marco Almeida acredita que a ausência das bandeiras nas praias da Adraga, Maçãs e São Julião "não trará nenhum prejuízo ao município, porque estas praias não precisam da bandeira para continuar a garantir a qualidade". .Entretanto, a autarquia "exige que a ARH faça investimentos no concelho, porque Sintra é dos principais contribuintes desta entidade (seis milhões de euros anuais) e é legítimo que não se continue a passar esta pouca-vergonha", avança Marco Almeida, que deixa um aviso: "Desejamos que a ARH seja capaz de concretizar o POOC e até lá iremos responsabilizá-la por todos os problemas que venham a acontecer no litoral de Sintra, onde há problemas gravíssimos nas arribas.".Em declarações ao DN, a coordenadora nacional da bandeira azul não confirmou a desclassificação da praia Grande, dado que ainda não recebeu o relatório de vistoria. Quanto à reacção da Câmara de Sintra, Catarina Gonçalves considera que "há questões que ultrapassam a Associação e lembra que "a bandeira azul é um galardão de boas práticas voluntário, pelo que ninguém é obrigado a tê-lo". Não foi possível obter uma reacção da ARH até ao fecho desta edição.