Sinos da Sé Catedral não repicam na Páscoa

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A Garrida e os restantes oito sinos da Sé Catedral da Guarda deixaram de repicar há vários anos. Primeiro desapareceu quem os fazia tocar e a falta de manutenção acelerou a degradação dos sinos, que aos poucos, se foram silenciando. Mas o ex libris da cidade mais alta reclama atenção e apresenta evidentes sinais de degradação. A última grande intervenção data de 2004 mas depois disso pouco se fez.

Talvez por isso a Páscoa na cidade mais alta "não tenha o brilho de outros tempos. Perdem-se as coisas e ninguém cuida delas", afirma Adriano Rodrigues, professor, antigo Governador Civil da Guarda e um dos mais conceituados historiadores da Beira Interior. Os sinos "não têm tido a manutenção por parte do Estado, que é o proprietário do imóvel e a paróquia não tem verbas para a sua recuperação", afirma António Moiteiro, pároco da Sé Catedral.

O monumento é propriedade da Direcção Regional da Cultura do Centro, que tutela o monumento através do IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico). José Afonso da direcção do IGESPAR na Beira Interior, contou ao DN que "foram sendo feitas várias candidaturas a fundos comunitários mas sem sucesso".

Quando os sinos crepitavam era o toque da Garrida, o sino mais pequeno colocado por cima da entrada poente que marcava o ritmo da cidade. "A Garrida chamava os oito cónegos da Sé [Mendes do Carmo, Norberto, Freire, Leitão, Álvaro, Carvalho, Artur e Matos] para rezar o ofício", conta Adriano Rodrigues. Com a morte destes padres deixou de se ouvir tocar para o coro dos cónegos. A Praça Velha deixou de se alvoraçar.

Actualmente "com um bocadinho de cuidado ainda eram capaz de tocar, mas precisavam de uma intervenção", diz o cónego Eugénio Sério, director do Secretariado Diocesano de Liturgia.

O responsável lamenta a situação: "mais uma vez, os cristãos da Guarda não ouvem os sinos da Sé tocar no anúncio da Aleluia".

A desfeita também é invocada por António Moiteiro, pároco da Sé, que a considera "uma pena". O prelado refere que "a paróquia está disponível para encontrar uma solução para o problema se houver ajudas".

O director Regional da Cultura do Centro, Pedro Pita, refere que "os sinos da Sé da Guarda estão de facto, inoperacionais e precisam de um restauro, sem o qual, e a continuarem a ser utilizados, a sua integridade pode estar em causa".|com Lusa

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