Otrânsito em Lisboa já é complicado por natureza, mas torna-se ainda mais caótico devido à má informação dada pela sinalização, que induz os automobilistas em erro e obriga-os a ir dar umas grandes voltas, quando bastava virar logo ali e chegar ao destino. E muitas destas situações resultam apenas do facto de as folhas das árvores despontarem, crescerem e taparem as placas, impossibilitando vê-las..São os sinais ocultos. O mais grave é que alguns deles, especialmente os semáforos, se transformam em autênticas ratoeiras que podem colocar em perigo a circulação, pois os condutores não conseguem ver que a luz está vermelha e continuam a avançar. Em risco de ser atropelados ficam os peões, enquanto o trânsito de cruzamento pode ser abalroado por alguma viatura que não pare..O problema repete-se todos os anos, principalmente a partir da Primavera, quando a verdura começa a crescer mais rapidamente. E resolve-se naturalmente com a chegada do Outono e a queda da folha caduca..Fiscais "estão atentos".Contrariando o que se verifica no terreno (ver fotos), a Câmara de Lisboa garante ao DN não ficar à espera que a natureza resolva o problema. Fonte do departamento de tráfego da autarquia afirma que os fiscais de serviço "estão atentos à situação e depois comunicam com outro departamento para ir cortar ramos de árvores que tapam sinais"..Fonte do já referido departamento seguinte confirma ao DN que "os serviços do tráfego é que alertam a Divisão de Jardins, que resolve a situação em poucos dias, removendo pernadas e ramadas de árvores"..Além disso, adianta a mesma fonte, "se os fiscais da Divisão de Jardins detectarem situações de árvores a obstruir a sinalização, eles próprios desencadeiam medidas para solucionar o problema"..Mas o problema dos sinais ocultos não resulta apenas do crescimento da verdura. Muitos desses casos são consequência de erros humanos. De facto, encontram-se pela cidade várias situações de sinais tapados por outras placas que foram instaladas à sua frente..Por exemplo, quem desce a Rua Morais Soares, chega à Praça do Chile e depara com um semáforo que tapa as placas de sinalização a indicar que se deve virar à direita para seguir com destino a A1 Norte, Alameda e Areeiro e tem de seguir em frente para se dirigir ao Campo Pequeno e ao Saldanha. Por sua vez, este conjunto de placas está a tapar outro sinal que indica a proibição de virar à direita quando já se entrou no cruzamento da Praça do Chile..No fundo, encontra-se ali uma série de obstáculos à boa informação, que, em situação de trânsito, deve ser do mais simples, óbvio e directo para o condutor poder rapidamente ver, compreender, interpretar e decidir que caminho deve tomar..Neste caso concreto, como as placas e os semáforos se encontram todos uns sobre os outros, quem não conhece a zona fica sem saber atempadamente que tem de se ir encostando para a via da direita para virar em direcção à Alameda, Areeiro e auto-estrada do Norte..Como só é possível ver essas indicações em pleno cruzamento, o condutor já não vai a tempo de entrar no referido acesso para a direita. Acaba por ter de seguir em frente, tomando uma direcção que nada tem a ver com o seu destino. E lá vai ter de dar uma grande volta...