O CE é uma "marcação obrigatória mas o fabricante não tem que provar nem fazer ensaios de segurança com o brinquedo", explicou à agência Lusa a presidente da APSI, Sandra Nascimento..De acordo com uma directiva europeia, todos os brinquedos têm que ter o símbolo CE, em que o fabricante declara que o produto está conforme as normas específicas que lhe são aplicadas, mas não há qualquer controlo sobre se as regras são cumpridas efectivamente..A APSI defende, por isso, que as leis futuras sobre a segurança dos brinquedos deviam obrigar a uma "certificação de segurança", que seria uma "mais-valia" em termos de fiscalização de um tipo de produto que "varia muito e do qual chegam grandes quantidades ao mercado"..Uma resolução da Assembleia da República saída em Diário da República apela ao Governo para que torne os brinquedos mais seguros, com medidas como obrigar à "emissão de certificação de segurança de todos os brinquedos colocados no mercado".."O movimento de consumidores na Europa tem tentado que esta certificação seja obrigatória pelo menos nos brinquedos para crianças até aos três anos. Neste momento, o fabricante tem que pôr o símbolo [CE], mas não tem que fazer quaisquer testes, eles normalmente só acontecem quando há acidentes", realça a presidente da APSI..Quanto a números, desde 1999 que não existem estimativas rigorosas sobre o número de acidentes com brinquedos que ocorrem todos os anos, uma vez que quem faz a contabilidade é o Observatório Nacional de Saúde, que não relaciona os acidentes pessoais com o tipo de produto que os provoca..Na altura do Verão, há brinquedos que despertam preocupação porque não são utilizados como tal: por exemplo, pais e vigilantes confiam demasiado nos colchões insufláveis, bóias e braçadeiras e usam-nos como "auxiliares de flutuação".."É contraproducente usá-los como auxiliares de flutuação, porque ao contrário dos coletes de flutuação verdadeiros, não flutuam bem e têm riscos acrescidos, como o facto de poderem ser arrastados pelas correntes", refere Sandra Nascimento, que recomenda "vigilância permanente e selecção dos locais onde são utilizados".."Nunca devem ser usados em sítios com correntes ou ondulação. E devem ser guardados depois de utilizados. Por exemplo, no caso das piscinas, nunca devem ser deixados na água, porque são um chamariz para as crianças quando pode não haver nenhum adulto por perto", recomenda..A percepção da APSI é de que os acidentes mais frequentes são quedas provocadas quando as crianças tropeçam em brinquedos deixados no chão de casa ou nas creches. A proximidade de escadas, esquinas de móveis ou outras superfícies aumenta o risco de tragédia.."Quando nas nossas campanhas fazemos recomendações aos pais, insistimos em que os brinquedos sejam sempre arrumados em locais específicos depois de utilizados", frisa Sandra Nascimento.."A nossa preocupação principal são as crianças com menos de três anos", salienta, apontando as partes móveis, os objectos esféricos (por exemplo berlindes) ou os brinquedos a pilhas como as questões mais preocupantes..Sandra Nascimento reitera que, por mais garantias de segurança que um brinquedo aparente dar, "a família deve fazer sempre uma verificação" antes de o passar para as mãos da criança pela primeira vez.