Signo esquecido muda o horóscopo

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Tem a certeza que sabe qual é o seu signo? É que tudo o que julgava saber sobre ele pode estar errado, começando pelo básico: qual é. Segundo os astrónomos, devido a um movimento da Terra chamado precessão, o caminho do Sol pelo céu é diferente do que era há 3000 anos, quando apareceu a astrologia e foram definidos os signos do Zodíaco. Se isto não chegar para assustar os crentes, há outra "novidade": uma 13.ª constelação.

Os acertos fazem com que os Gémeos passem a ser Touros, os Caranguejos passem a Gémeos e assim sucessivamente. E quem nasceu entre o 29 de Novembro e 17 de Dezembro veio ao mundo sob o signo de Ofiúco.

Mas será altura de apagar a tatuagem com o seu signo ou de deitar fora recordações astrológicas oferecidas? Talvez não. Afinal, o astrónomo americano que criou esta confusão limitou-se a dar "novidades" que são conhecidas há milhares de anos, explica o astrónomo Máximo Ferreira. Por outro lado, os signos do zodíaco, das constelações só tiram o nome, argumentam os astrólogos.

Bastou uma entrevista de um astrónomo da Minnesota Planetarium Society, nos EUA, para lançar o caos na astrologia popular e na internet. "A um nível popular, básico, a astrologia ocupa a função de jogo social" e por isso é muito discutida, explica José Prudêncio, professor de filosofia e interessado no que designa de "astrofilosofia".

O zodíaco é uma faixa do céu por onde passam os planetas, a Lua e Sol - no seu movimento aparente no céu. Ao longo do ano, o sol tem como pano de fundo constelações diferentes.

O que os astrónomos explicam é que, por causa de um movimento da Terra chamado precessão - menos conhecido que o de rotação (24 horas) e de translação (um ano) e mais longo - o caminho do Sol no céu também mudou e este não está onde deveria estar segundo as datas dos signos.

Lembram também que no zodíaco há 13 constelações e devia arranjar-se espaço para Ofiúco, que foi deixada de fora. "Talvez as astronomia e a ciência tenham alguma culpa, porque gostamos de números redondos", justifica Máximo Ferreira. Assim sendo, os signos avançam quase todos cerca de um mês (ver caixas).

Mas José Prudêncio garante que não é necessário. "De tanto em tanto tempo os astrónomos levantam essa questão para desacreditar a astrologia. Mas não podemos confundir constelações e signos. A astrologia recorre a uma divisão teórica do Zodíaco, em que cada signo corresponde a 30 graus, independentemente da constelação", explica. Por isso, é que há constelações que ocupam muito mais espaço no céu do que outras e os signos se distribuem ao longo do ano em períodos com durações parecidas, diz. Por outro lado, apesar de defender a utilidade da astrologia, lembra que "as pessoas não são o seu signo".

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