Sexo luso gera milhares

O grupo Hot Gold, presente na TV por cabo, é o único produtor de filmes pornográficos portugueses. A NTV despiu-se de preconceitos e espreitou os bastidores.
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"Achas que este vestido me fica bem?", pergunta Erica enquanto experimenta um decotado modelo roxo. "O preto fica-te melhor, ficas mais magra", responde Silvie. Riso geral. "Eu é que decido de que cor é o vestido!", interrompe, bem-disposto, Carlos Ferreira. É ele o homem-forte do grupo Hot Gold detentor do canal da Zon com o mesmo nome, e o único produtor actual de filmes pornográficos portugueses. A NTV foi espreitar a mais recente película "picante".
O filme, inspirado no escândalo de um arquitecto português que abalou a sociedade nos anos 80, e ainda sem título, deverá estrear-se na Feira Erótica de Lisboa, em Junho, passando depois pelo canal de TV, pelo DVD e pelo site do Hot Gold. "É um filme com um tema polémico e, cada vez mais, os conteúdos para adultos não se podem restringir a um só formato de vendas", explica Carlos Ferreira.
 Vamos aos números do filme. Com um staff de cinco pessoas na produção e realização, seis actores e um orçamento de 20 mil euros, engane-se quem pense que o mundo da pornografia não gera lucros em Portugal. "Conseguimos gerar receitas positivas em poucos meses porque existe muito pouca oferta", diz o director do Hot Gold.
Mas como funcionam os castings para estes filmes? "80% são actores com quem já trabalhámos. Depois, recebemos candidaturas e experimentamos novas pessoas. Há que encontrar o equilíbrio. Casting mesmo dito, com fila de candidatos, não acontece. Conversa-se com a pessoa, tiram-se fotos...", revela Carlos.

"É o emprego de sonho de qualquer homem"
Os actores portugueses dirigem-se ao escritório onde tem lugar a primeira filmagem da noite. Todos eles entraram no mundo pornográfico há cerca de um ano. Todostêm a certeza de que este é o caminho a seguir. Repete-se cena após cena na busca da perfeição. Minutos de filme são horas de filmagem. Tudo estudado ao pormenor: a luz, o ar condicionado, os planos de câmara, maquilhagem, cabelos, roupas, adereços, os diálogos, a comida, o silêncio.
Erica Fontes é a mais nova. Tem 18 anos  mas já conta com quatro filmes gravados. "Este mundo fascina-me desde nova. Vi um anúncio no jornal e inscrevi-me", diz. O balanço é positivo. "É diferente do que eu imaginava, não existe prazer como vemos na televisão. Mas adoro o que faço!", solta.
A aceitação da família nem sempre é pacífica. "Reagiram com espanto e indignação. Quando se idealiza o futuro de um filho, pensa-se em médico, jornalista... por aí. Nunca actor porno. Hoje, eles sabem que sou feliz", conta Ângelo Ferro, de 26 anos, que já é reconhecido na rua. "São sempre pessoas mais idosas. As mais novas apenas olham", ri-se.
Tiago Jay, 27 anos, também se sente realizado, apesar de ter sido despedido da anterior empresa quando a chefia soube que era actor porno. "Este é o emprego de sonho de qualquer homem", frisa. A estreia em filmes pornográficos foi ao lado da namorada, Silvie, também ela actriz. "Não foi estranho, tornou--se mais fácil", revela Tiago. E quando não filmam juntos? Silvie, de 27 anos, acrescenta: "É uma confusão de emoções. Aprende-se a lidar com isso aos poucos." A actriz, que já fez trabalhos fora do País, compara as indústrias: "Já começamos a igualar o ritmo de Espanha e resto da Europa. Mas não falemos dos EUA, são grandes produções e orçamentos."
Foi também há cerca de um ano que se estreou o canal Hot Gold. Apesar de não adiantar o actual número de assinantes do canal porno, Carlos Ferreira afirma que estes dez meses de vida não furaram as expectativas. A grande aposta para 2010 será este filme. "Vai criar um buzz", remata o director.

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