Citigroup, Crédit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, Merrill Lynch, Morgan Stanley e UBS. São estes os sete bancos que pretendem revolucionar a forma de negociar acções nos mercados europeus, através da criação de uma plataforma própria. O pretexto desta iniciativa é a directiva europeia dos mercados de instrumentos financeiros (DMIF), mas a motivação é combater um eventual monopólio resultante da crescente consolidação das bolsas. ."Acreditamos que esta plataforma irá introduzir maior concorrência às Bolsas já existentes e reduzir os custos de comprar e vender acções para todos os participantes no mercado e seus clientes", explicou ao DN um porta-voz deste projecto, em declarações intermediadas pelo Citigroup. .No comunicado publicado ontem, os sete bancos de investimento - responsáveis por pouco mais de metade dos volumes negociados em acções na Europa - explicam que "a nova plataforma irá recrutar uma equipa própria de gestão, independente dos bancos accionistas". No mesmo documento explica-se que o objectivo passa por atrair liquidez, reduzir custos e promover uma maior transparência e eficiência nos mercados europeus "concentrados actualmente em Bolsas domésticas". O ponto de partida deste projecto é a directiva europeia DMIF, que terá de entrar em vigor no início do próximo ano..Revolução ou apenas uma forma de pressão?.Questionado sobre o impacto que esta plataforma terá em mercados de menor dimensão como Portugal, o mesmo responsável do projecto admitiu que "ainda não sabemos". No entanto, deixou claro que "a plataforma estará aberta aos operadores de bolsa portugueses nos mesmos termos de todos os outros participantes, pelo que só dependerá da sua vontade de a utilizar". Quanto à regulação, "nas próximas semanas iremos começar a conversar com os reguladores e outras instituições financeiras acerca deste plano". Contactada pelo DN, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários revelou que ainda não recebeu qualquer comunicação destes bancos. .De acordo com um operador português de Bolsa, "isto é uma forma de combater um monopólio que irá revolucionar a actividade de negociação, se conseguirem garantir liquidez e baixarem os custos". Esta iniciativa é, assim, uma resposta à consolidação das Bolsas europeias, na qual o Euronext tem estado em destaque (ver texto abaixo). .Para este especialista, "os clientes sairão sempre a ganhar e os intermediários financeiros terão de se adaptar. Não ficaria surpreendido se aparecessem outros projectos do género". As principais dificuldades que estes bancos enfrentam prendem-se com garantir liquidez suficiente para atrair investidores. As tentativas anteriores de criar novos mercados de acções na Europa - Nasdaq Europe e Jiway, por exemplo - falharam (Em Portugal, existe o PEX, que continua a operar com baixos volumes de negócio). E a constituição de grandes mercados pan-europeus - com a crescente associação entre Bolsas nacionais - poderá tornar esse objectivo ainda mais difícil. Isto numa altura em que essas fusões - como o Euronext com a Bolsa de Nova Iorque (NYSE) - criam sinergias que permitem reduzir custos. Há dois dias a NYSE/Euronext revelou que pretende os custos de negociação em 10% a 15% até 2008, se a operação de fusão tiver a aprovação dos accionistas do grupo pan-europeu. .Neste contexto, alguns analistas admitem que a iniciativa dos sete bancos é apenas uma forma de criar uma pressão adicional para as Bolsas descerem as suas comissões. "A execução de ordens bolsistas é cada vez mais um bem transaccionável, que seguirá sempre quem oferecer preços mais baixos com quantidades suficientes de liquidez", completou o mesmo operador.