Serra mais agressivo que nunca com Dilma na TV

Candidato da oposição associa rival, apoiada por Lula, a casos de corrupção. Ela acusa-o de "representar elites" e faltar a promessas.
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José Serra foi mais agressivo que nunca com Dilma Rousseff no debate da noite de segunda-feira, na TV Record - o penúltimo da campanha para a segunda volta das presidenciais brasileiras, já no próximo domingo. Por seu lado, a candidata oficial também atacou e, com isso, o debate aproximou-se enfim de um verdadeiro confronto. O que está em jogo é o governo do Brasil nos próximos quatro anos, encerrado o actual ciclo do Presidente Lula da Silva, iniciado em Janeiro de 2003.

O oposicionista Serra sublinhou os pontos mais fracos da sua adversária: o facto de Dilma jamais ter disputado uma eleição; a necessidade que tem de se apoiar muito no carisma de Lula; e, sobretudo, os casos de corrupção ocorridos nos últimos anos em Brasília, associando-a ao "mensalão" - subornos a deputados, para votarem com o Governo - e ao tráfico de influências centrado em Erenice Guerra, grande amiga e sucessora de Dilma no importante cargo de ministra-chefe da Casa Civil, equivalente às funções de primeiro-ministro no Brasil.

Serra também citou, como factor negativo, as invasões de terras feitas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Dilma, à sua maneira, também foi contundente. Destacou o caso de Paulo Vieira de Souza, conhecido como " Paulo Preto", um assessor de Serra, encarregado da contratação de obras vultosas, que teria desviado o equivalente a dois milhões de euros. Lembrou que, quando era presidente da câmara de São Paulo, Serra assinou um documento, num cartório, a declarar que não abandonaria o cargo, mas deixou-o mesmo, para se tornar governador da mesma região. Dilma também acusou Serra e o governo do seu aliado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de pretender vender a maior empresa do país, a Petrobras. Segundo Dilma, Serra e Cardoso representam as elites e não o povo. Sobre o MST, Dilma disse que não trata movimentos sociais como se fossem casos de polícia.

Serra afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) foi criado sob o símbolo da honestidade mas, hoje, Lula e Dilma estão ao lado do ex-presidente Collor de Mello - que é senador, mas foi afastado do poder por corrupção - e do ex-presidente José Sarney, conhecido como o "último coronel", um remanescente da velha política.

Dilma questionou Serra sobre o desflorestação do país, defendendo as metas fixadas pelo governo Lula para reduzir em 39% as emissões de gás carbónico do Brasil até 2020. Isso inclui reduzir em 80% o desmatamento da Amazónia. Já Serra garantiu que deseja o "desflorestamento zero", ou seja, uma meta ainda mais ousada.

No final, um conhecido jornalista disse, que, na luta pelo poder, os candidatos estão a perder as suas características mais especiais. Segundo Gilberto Dimenstein, Serra sempre defendeu ardorosamente o controlo de gastos e agora quer o aumento exagerado do salário-mínimo e do Bolsa-Família, "como se fosse um político irresponsável".

Já Dilma, ao criticar as privatizações, apresenta, segundo Dimenstein, um "sintoma de ignorância", uma vez que todos sabem ser as empresas privadas mais bem geridas e incapazes de gerar prejuízo para os cofres públicos.

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