Ser alemão por dois dias

O jornalista Fernando Balsinha era correspondente da RTP em Bruxelas e foi enviado a Berlim. Chegou na madrugada do dia 11 e levou a mulher, Maria Moura, que mostrou as fotos desses dias históricos
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Na manhã do dia 10 de Novembro de 1989, Fernando Balsinha, correspondente da RTP em Bruxelas, telefonou à mulher, Maria Moura, que trabalhava no Parlamento Europeu. Tinha de ir para Berlim cobrir os acontecimentos. Ela foi com ele, juntamente com um operador de câmara belga e uma amiga portuguesa, Cristina Castro, que estava a trabalhar na capital belga. Pediram vistos como assistentes de imagem e de som e 12 horas depois chegavam a Berlim.

"Deviam ser umas 02.00 da manhã", recorda Maria Moura, com a concordância de Cristina Castro. Esperaram horas na fronteira. Primeira impressão: "Eram umas filas imensas para sair." "Eram Trabant e Trabant em direcção ao lado ocidental", contam, quase em uníssono. "70 quilómetros de fila. Este número recordo-me de ouvir", afirma Maria Moura, 27 anos então. "Cheirava muito a gasolina, era uma poluição incrível", acrescenta. Também viram "muita da gente de 50 anos, que se lembrava da cidade antes da construção do Muro".

O cenário durou os dois dias que permaneceram na cidade. Passada a fronteira para o lado ocidental, recebiam um marco alemão.

As assistentes do Parlamento Europeu deambularam pela cidade enquanto Fernando Balsinha (falecido em 2003) cobria os eventos para o único canal português de então, a RTP. "As pessoas faziam fila em frente aos stands de carros como a Porsche, a Mercedes e a BMW", diz Cristina. "E compravam muita fruta e andavam com rádios ao ombro", adianta Maria. Regressaram na noite de domingo.

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