O grande feito ontem de Espanha era a cara amarrada de Paul Gasol na final de basquete, Espanha-EUA. Ficou sentado e só se levantou quando as lendas americanas, LeBron James à cabeça, o vieram confortar pela derrota. Dias antes, quando ficou logo atrás de Usain Bolt, nas finais de 100 m e dos 200 m, Yohan Blake rejubilava com a sua prata, a maior medalha quando o adversário é do outro mundo. Mas o que cara de Gasol dizia ontem era que o jogo que vinha de acabar tinha sido entre iguais, e que a prata conseguida era pouco... E, de facto, tirando os dois minutos finais, o jogo foi um diálogo intenso: diferença de um ponto (59-58) ao intervalo, que se mantinha ainda no fim do terceiro período (83-82). Sim, somados os jogos destes JO - e mesmo neste durante tanto tempo igual Espanha-EUA - os melhores acabam por ser mesmo o Dream Team. Uma equipa de sonho com LeBron James (este ano somando o título da NBA, o de MVP, de jogador mais valioso, e agora o de campeão olímpico, igualando o que tinha conseguido Michael Jordan em 1992, ano em que o nome Dream Team foi inventado), Kobe Bryant (também agora bicampeão olímpico) e esse novato (23 anos) Kevin Durant que ontem destroçou com os seus triplos a ambição espanhola - sim, repete-se, esses são evidentemente os melhores, o Dream Team. Mas a força do desporto é que, por vezes, os maiores talvez não sejam os deuses, mas aqueles que lhes disputam o Olimpo. Ser Dream Team é enorme, ser equipo de lo sueño é ainda mais. O que ontem a seleção espanhola fez (os irmãos Gasol e o magnífico Navarro, Rudy, Caldéron e os outros), pondo em causa a indiscutível supremacia americana no basquetebol, é a essência do desporto: sonhar ir mais longe, mesmo quando isso é dado como impossível.