Segunda fábricada Delphi encerra hoje

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Completa-se hoje um ano sobre o encerramento da fábrica da norte--americana Delphi, empresa de componentes para automóveis, em Ponte de Sor, que deixou no desemprego 439 trabalhadores. Por coincidência ou não, fecha hoje portas outra unidade, esta na Guarda, com 321 pessoas a ficarem sem trabalho.

Após um ano, 98% dos trabalhadores da fábrica em Ponte de Sor continuam sem colocação. "A maioria dos meus colegas continua a receber do Fundo de Desemprego e não tem nenhuma perspectiva de arranjar um novo trabalho", explica Francisco Godinho, porta-voz dos trabalhadores, que ocupa parte do seu tempo a fazer biscates e conta que alguns dos seus colegas "optaram, ao longo deste último ano, por tirar um curso ou terminar o 12.ºano". Porém, a maior preocupação está para surgir, porque "a maioria das pessoas ainda não esgotou o período do Fundo de Desemprego [para a maioria termina em Janeiro]. Quando esse subsídio terminar, talvez alguns colegas tenham de entregar as casas onde vivem", concluiu o também dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Química, Farmacêutica, Petróleo e Gás do Centro Sul e Ilhas (SINQUIFA).

Na Guarda, a Delphi, que chegou a empregar 3000 pessoas, encerra e coloca no desemprego 321 operários. Para o governador civil do distrito, "a questão da Delphi é muito difícil de digerir, porque numa terra como esta desaparecerem num ano, ou num ano e meio, à volta de mil trabalhadores é muito difícil". Contudo, Santinho Pacheco garante que "não vamos deixar cair os braços e vamos querer encontrar rapidamente soluções para o problema dos trabalhadores e das instalações" e que é preciso "fazer valer as mais-valias da localização da Guarda e a existência de mão-de-obra especializada". Resignado, afirma que "a decisão não foi tomada no País. Veio da casa-mãe da Delphi nos EUA e não havia nada que pudesse alterar uma estratégia a nível mundial da própria Delphi". Para José Ambrósio, antigo representante dos trabalhadores na Guarda, a culpa é repartida, afirmando que, "se houvesse vontade política, a fábrica nunca tinha fechado. O Governo investiu dinheiro na empresa da Guarda só que, quando começaram os despedimentos, não fez nada para os evitar".

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