A sede do Parque Natural do Fogo, na ilha cabo-verdiana com o mesmo nome, foi hoje totalmente 'engolida' pela lava após as erupções vulcânicas terem aumentado de intensidade de madrugada. .A Lusa constatou no local o avanço da lava em direção à principal localidade de Chã das Caldeiras - de onde foram atempadamente retirados os pouco mais de mil habitantes e onde algumas habitações ficaram destruídas -, ameaçando a povoação vizinha de Bangaeira, também já evacuada..Em declarações à Lusa, Sónia Silva Vitória, geóloga do Observatório Vulcanológico de Cabo Verde, adiantou que bastaram três horas para a lava destruir cerca de 90% do edifício do parque natural, cujas traseiras foram "engolidas" há dois dias.."Por volta das 04:00 [05:00 em Lisboa], as lavas começaram a deslocar-se e a aumentar a velocidade, tendo atingido 20 metros por hora. Entre as 04:00 e as 07:00 deslocou-se, porém, 108 metros, desde o ponto em que se encontrava até à sede do parque, absorvendo o resto do edifício", explicou..Tendo em conta a velocidade da lava, Sónia Vitória admitiu a possibilidade de Portela (onde 15 habitações ficaram destruídas) ficar soterrada, uma vez que a principal cratera, bem como as sete novas bocas entretanto surgidas, continuam a jorrar uma quantidade significativa de brasas incandescentes..A lava "pode chegar a Portela. Depende sempre da topografia. Se encontrar um rebaixamento na topografia ou uma zona plana, ela poder até adquirir um pouco mais de velocidade, mas a tendência passa naturalmente pelo facto de, se os fluxos de lava continuarem, ela continuar sempre a avançar, pouco a pouco", realçou..Atrás de Portela situa-se Bangaeira, uma pequena localidade quase contígua, já no declive nordeste de Chã das Caldeiras, pelo que, se a primeira for atingida, a segunda também o será, mudando novamente o panorama de Chã das Caldeiras, que está a sofrer a 27.ª erupção vulcânica desde 1500, realçou a geóloga cabo-verdiana..Sónia Vitória afirmou ser "impossível" determinar o fim das erupções, mesmo dispondo de vários aparelhos e sensores no terreno.."Temos instalados aparelhos e sensores, como sísmicos, gravimétricos, magnéticos, geoquímicos e, entre outras observações geológicas, consegue-se prever sempre, dentro de alguma margem de erro, possivelmente o dia em que se inicia uma erupção vulcânica. Quando terminará, isso é impossível [saber]. Agora o foco emissor está a emitir lavas, piroclastos e gases e, em quatro, seis, oito horas, ou daqui a pouco, pode cessar. Não sabemos o intervalo de paragem e de arranque da erupção", acrescentou..As erupções vulcânicas começaram a 23 deste mês junto ao cone principal do grande vulcão de Chã das Caldeiras, mas, além dos danos materiais, como casas, cisternas de água e zonas agrícolas, não provocou quaisquer vítimas.