"Trata-se de mais um episódio semanal do folhetim de baixo nível em que se transformou o tratamento mediático deste caso, com vista à criação de um clima pantanoso e de suspeição permanente", escreve Filipe Baptista numa nota enviada à comunicação social, na sequência da divulgação de um vídeo pela TVI sexta-feira.."Repare-se que as tentativas do meu envolvimento não se baseiam sequer em qualquer acto que eu tenha praticado ou omitido. Sustentam-se apenas nas alegações desfocadas de alguém que, sem saber exactamente designar de quem fala, admite que supostamente poderia fazer não se sabe bem o quê", diz Filipe Baptista, considerando que tudo isto "seria ridículo se não atentasse contra o bom-nome das pessoas"..O vídeo em questão é hoje noticiado também no jornal Público, que publica um artigo com o título "Adjunto de Sócrates apontado como a razão de ser do pagamento de luvas no Freeport"..O jornal relata que o nome de Filipe Baptista não foi expressamente citado numa conversa entre o empresário Charles Smith e João Cabral, ex-funcionário da empresa que assessorou o lançamento do empreendimento, e um administrador da Freeport, mas que há uma alusão neste sentido: "O homem que estava na Inspecção do Ambiente foi secretário pessoal dele (Sócrates), percebes as ligações?"..Segundo o Público, esta frase foi uma resposta de João Cabral ao administrador Alan Perkins, que questionou Smith e Cabral sobre os alegados subornos pagos já depois de o ex-ministro do Ambiente deixar a pasta.."Cabral referia-se a uma figura quase desconhecida, mas com um papel central no gabinete de José Sócrates desde os anos 90: Filipe Alberto da Boa Baptista foi chefe de gabinete no Ministério do Ambiente até Março de 2002, altura em que o Governo de Guterres caiu, logo após a viabilização do Freeport", escreve o Público, adiantando que o actual secretário de Estado adjunto foi posteriormente nomeado inspector-geral do Ambiente, no Governo PSD, e chamado pelo actual chefe de Governo quando venceu as últimas legislativas..O processo relativo ao centro comercial Freeport de Alcochete está relacionado com alegadas suspeitas de corrupção no licenciamento daquele espaço, em 2002, quando o actual primeiro-ministro, José Sócrates, era ministro do Ambiente..Neste momento, o processo tem dois arguidos: Charles Smith e o seu antigo sócio na empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial..AH.Lusa