O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, defendeu que a Guiné Equatorial é um Estado-membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e por isso tem o mesmo direito de poder assumir a presidência da organização lusófona. São Tomé acolhe amanhã a cimeira dos chefes de Estado e Governo - tanto o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa como o primeiro-ministro António Costa estarão presentes -, sucedendo a Angola na liderança para os próximos dois anos..Em entrevista à Lusa, Trovoada sublinhou que, se for por ordem alfabética, deverá ser a Guiné-Bissau a sucedendo a São Tomé. Mas, se este país "quer deixar passar o seu lugar", a Guiné Equatorial "tem os mesmos direitos que qualquer outro [Estado] de poder assumir" a próxima presidência..Segundo o primeiro-ministro são-tomense, o tema ia ser discutido ontem ao nível de chefes de diplomacia e "se não ficar sanado a esse nível, vai a nível superior", no domingo. "Se a Guiné-Bissau, que em princípio é próxima, disser que não quer por as razões que são próprias e se nós não conseguirmos convencer a Guiné-Bissau, terá que ser um outro país e aí a Guiné Equatorial tem o mesmo direito, mesmo peso, mesmo mérito que qualquer outro país-membro", insistiu..Na cimeira de Luanda, em 2021, Bissau manifestou interesse a suceder a Angola na presidência, e a decisão foi adiada, tendo acabado por ser São Tomé e Príncipe o país escolhido. No mês passado, o presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, admitiu abdicar da presidência rotativa da CPLP e optar antes por presidir à União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA)..A Guiné Equatorial, uma antiga colónia espanhola, é o país mais recente da CPLP - que integra também Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Aderiu em 2014, mediante um roteiro que contemplava, entre outras medidas, a abolição da pena de morte - o que ocorreu em setembro - e a promoção da língua portuguesa..Mas, para já, será São Tomé a assumir a presidência, com Patrice Trovoada a dizer à Lusa que vai priorizar o financiamento ao empreendedorismo e educação, mas também os desafios da habitação e mobilidade jovem. O tema da cimeira de amanhã é "Juventude e Sustentabilidade", com o chefe da diplomacia são-tomense, Gareth Guadalupe, a admitir que o acordo de mobilidade em vigor na organização constituir um desafio para fixar os jovens nos países menos desenvolvidos..Na cimeira deverá ainda ser discutido tema da fixação das quotas para os observadores associados - são já 33, entre países e organizações. O Paraguai deverá ser o próximo.