São Silvestre. Dos aglomerados de Lisboa e Porto ao bolo-rei de Quarteira

Tradição começou no Brasil por iniciativa de jornalista. As portuguesas mais antigas são no Funchal e em Ponta Delgada. Mais de três dezenas de provas vão realizar-se no nosso país entre o final deste ano e início de 2018.
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A tradição nasceu em São Paulo, foi buscar inspiração a França e remonta a 1925. Durante uma viagem a Paris, o jornalista brasileiro Cásper Líbero ficou maravilhado com uma corrida noturna na qual os atletas carregavam tochas ao longo do percurso e decidiu promover algo semelhante no seu país à meia-noite do derradeiro dia do ano de São Silvestre, Papa falecido e canonizado a 31 de dezembro de 335.

Nestes 92 anos, a prova tornou-se uma das principais do calendário mundial e inspirou a criação de um sem-número de corridas em todo o mundo, incluindo em Portugal, onde este ano vão realizar-se mais de três dezenas (ver quadro). Poucas se mantêm fiéis ao conceito original, indo para a estrada noutras datas e noutros horários, mas não deixam de carregar a designação e de se realizar no final ou no início do ano.

Em Portugal, a mais antiga é a Volta ao Funchal, que ocorre desde 1959, maioritariamente na noite de 28 de dezembro - algo que se verifica neste ano (17.45) - e com uma distância mais curta do que a habitual (10 km) nas provas lusas do género: 5850 metros. A edição do ano passado bateu um recorde de atletas classificados: 2667. Se a São Silvestre portuguesa mais antiga é na Madeira, a segunda é nos Açores. A de Ponta Delgada também possui uma distância mais curta (6200 metros) e no sábado terá a 54.ª edição - a primeira foi em 1964.

No continente a que tem mais tradição é a da Amadora, uma das poucas que se disputam a 31 de dezembro, data que não inibe a forte presença do público. Uma vitória de Carlos Lopes marcou a edição inaugural, em 1975, de um evento que neste ano vai acontecer pela 43.ª vez. A partida para os 10 km será dada, como é habitual, a dois tempos: às 17.50 para a elite feminina e às 18.00 para o resto. Antes, haverá o tradicional desfile de carros clássicos. Esperam-se cerca de dois mil participantes num evento que vai estrear uma corrida para crianças.

Lisboa é êxito recente

Bem mais recente é a São Silvestre de Lisboa, que vai para a 10.ª edição - a mais antiga da capital é a dos Olivais, que vai realizar-se pela 29.ª vez. Apesar da juventude, já conta com a certificação cinco estrelas da European Athletics e tem cativado a presença de milhares de participantes. O recorde de classificados (10 148) é de há dois anos, mas no dia 30 é esperado um número semelhante. Até lá, decorrem aos sábados treinos de preparação promovidos pela organização, em Monsanto. Habitualmente nas estradas lisboetas ao final da tarde do último sábado do ano - em 2016 foi excecionalmente de manhã, por se ter realizado no dia 31 -, a prova que tem início e meta na Avenida da Liberdade contempla várias provas: A Guerra dos Sexos, que está 5-3 para as senhoras e neste ano será marcada por uma luta de Jéssica Augusto (Sporting) e Vera Nunes (Benfica) frente aos benfiquistas Ricardo Ribas, Hermano Ferreira e João Pereira; o desafio Campeões do Último Quilómetro, que vai premiar o mais rápido nos últimos mil metros; e a Taça HMS Sports, atribuída à melhor equipa composta por três homens e mulheres que obtiverem melhor resultado no somatório dos seis pontos.

Se em 2015 Lisboa ultrapassou os dez mil classificados, o Porto quase chegou aos 11 mil: 10 880, um recorde nacional em São Silvestres e que será ameaçado na 24.ª edição. Palavra ainda para Braga e Coimbra, que vão decorrer pela 40.ª vez.

Solidariedade não fica de fora

Por esse país fora, porém, existem corridas com particularidades muito próprias. A do Sado, em Setúbal, contempla um convívio no final da prova ao sabor de caldo-verde, bifanas e vinho. Mais a sul, em Quarteira, o que se come é bolo-rei, acompanhado de chá.

Por outras paragens, há as que se movem por fins solidários. Em Oliveira do Hospital, o objetivo é angariar fundos para uma conta solidária de apoio às vítimas dos incêndios que abalaram o concelho. Em Constância, os participantes deverão oferecer bens alimentares (preferencialmente) ou roupa.

"Espero que haja muitos participantes e que as provas tenham qualidade, o que é muito importante", disse o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Jorge Vieira, através do DN.

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