Santana Lopes atalhou travessia do deserto

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Pedro Santana Lopes ambiciona regressar à liderança do PSD. E no partido há quem o veja como um possível sucessor de Luís Filipe Menezes, e até capaz de derrotar José Sócrates nas legislativas de 2009. O problema é que se o PSD optar pelo ex-primeiro-ministro Santana vai apostar num líder que o País já rejeitou - de uma forma clara e só há três anos.

Nas eleições de 2005, o PSD obteve um dos seus piores resultados de sempre. Chamados às urnas para julgar o efémero Governo de Santana (que sucedeu a um Durão Barroso tentado pela presidência da Comissão Europeia), os portugueses foram explícitos: o PS venceu com o seu melhor resultado de sempre e pela primeira vez um primeiro-ministro socialista teve mesmo a oportunidade de governar com uma maioria absoluta.

Na hora da derrota, Santana Lopes disse que ia "andar por ai". Mas não se ficou por aí e regressou rapidamente. Primeiro para líder parlamentar do PSD de Menezes, agora como candidato a presidente do partido.

Foi uma travessia do deserto exageradamente curta.

Mesmo que triunfe e consiga ir a votos contra Sócrates soará sempre a uma tentativa de desforra. Demasiado arriscada. Para ele, para o PSD e, sobretudo, para o País.

Para os portugueses com menos de 40 anos, o 25 de Abril é apenas mais um feriado, bem colocado no calendário, já que a sua proximidade do 1.º de Maio pode permitir uma boa ponte com um gasto modesto de dias de férias.

Grândola Vila Morena, a canção-hino de Zeca Afonso que se tornou no ícone musical da Revolução dos Cravos, a entrada em Lisboa da coluna de Salgueiro Maia, o apelo do posto de comando do MFA, instalado na Pontinha, não são, para uma larga fatia dos portugueses, recordações vividas, mas sim os acontecimentos vistos no último capítulo dos manuais de História de Portugal do ensino secundário.

As horas dramáticas vividas no Largo do Carmo até à rendição de Marcelo Caetano, o tiroteio junto à sede da PIDE na António Maria Cardoso e a formidável explosão de alegria popular que sublinhou a queda da ditadura, não são, para uma boa parte dos portugueses, acontecimentos recordados com emoção, mas antes imagens a preto e branco vistas nos jornais ou em documentários televisivos.

A musealização do 25 de Abril não deve ser olhada como uma coisa má, na justa medida em que prova que a revolução dos capitães cumpriu o objectivo de colocar o País na senda da democracia e do progresso e sepultar os 48 anos de ditadura e atraso nos livros de História - no capítulo anterior àquele que regista o acto fundador da II República.

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