Samora Correia larga 18 touros para correr atrás do 'Guiness'

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Uma contagem decrescente e o foguete do costume anunciaram a abertura de portas a um touro, como é tradicional nas largadas.

Só que ontem, em Samora Correia, a largada de touros não foi como as outras. Deverá ter uma duração de 25 horas para registar um recorde no Livro do Guiness, o da maior largada de touros, que poderá garantir a Samora Correia o título de "capital do touro bravo".

Às 16.00 horas de ontem começou a longa largada, que só termina às 17.00 de hoje. O Largo 25 de Abril, conhecido em Samora como Largo do Calvário, estava transformado numa praça de toureio, com a tradicional areia húmida a cobrir o empedrado e as protecções vermelhas ao longo da praça, para os aficcionados poderem escapar aos animais de cerca de 500 quilos. À praça principal, juntavam-se ainda as 5 de Outubro, 31 de Janeiro e a do Amparo, onde touros e toureiros de ocasião se defrontavam, debaixo de um calor intenso, acompanhados por música alusiva ao toureio e pelos comentários do orador de serviço.

Ao centro da praça, um relógio digital marca o passar das horas e marca 75 minutos de largada quando se dá a primeira troca de touro.

O tempo que cada animal está solto nas ruas de Samora Correia pode variar, e tendo em conta o calor, os primeiros a entrar em cena fazem-no por um período mais curto. As cerca de cem pessoas que estão no centro da "arena" desafiam com outro entusiasmo o segundo touro que se mostra mais activo , o que faz lembrar as questões de segurança. Hélio Justino, presidente da Junta de Freguesia local, diz ao DN que espera "que tudo corra pelo melhor e que mesmo os aficcionados mais ousados tenham as devidas cautelas. Era importante para nós que tudo decorresse sem incidentes."

As pessoas não param de chegar às imediações do Largo do Calvário e o autarca estima em cerca de dez mil o número de espectadores desta "maratona".

O problema pode surgir de madrugada, com menos aficcionados, mas Hélio Justino diz que "há alguma animação programada para tentar segurar as pessoas e sabemos que alguns ficarão firmes durante as 25 horas", porque "o touro, o cavalo e o campino são a nossa identidade cultural e pensamos que a população vai aderir e tentar aguentar estas horas todas".

A maioria da população mostra-se agradada com a iniciativa, mas mesmo assim há quem deixe algumas críticas. João Fitas, morador em Samora Correia, lamenta que haja só um animal de cada vez: "estive aqui quase duas horas e mal o vi. Para uma iniciativa destas o espaço também devia ser maior". No entanto, diz que a iniciativa é positiva, porque "ao menos, as pessoas juntam-se e oxalá que no 1.º de Maio, as pessoas também se juntem".

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